Londrina – Profissionais contratados por empreiteiras terceirizadas decidiram cruzar os braços após atrasos nos pagamentos para a construção do Jardim Flores do Campo, na zona norte de Londrina. Durante a manhã, os trabalhadores permaneceram em frente ao canteiro de obras, onde aguardaram por respostas da empresa Fórmula Empreendimentos, com sede em Curitiba. Conforme os funcionários terceirizados, a empresa é a responsável pela construção do Jardim Flores do Campo e possui um contrato direto com a Caixa Econômica Federal por meio do programa Minha Casa, Minha Vida. Além dos salários atrasados, muitos funcionários alegaram que não há materiais de construção para dar continuidade aos trabalhos.
Parte das residências já foi construída. As obras começaram em agosto de 2013. Uma placa na via de acesso ao canteiro indica que o projeto para as 1.218 unidades residenciais, custeado pelo governo federal, tem o valor total de R$ 82,8 milhões. Porém, o encarregado de obra Willer de Oliveira está há três meses sem receber. "Alguns colegas até já foram embora. Nem todos os que saíram conseguiram fazer o acerto. Estamos sem vale-transporte e vale alimentação", reclamou. Um eletricista, que preferiu não se identificar, contou que terá que deixar a casa em que mora por falta de dinheiro para pagar o aluguel. "Atrasei dois meses. Pago R$ 500 por mês. O proprietário já pediu a casa de volta e vou ter que sair até o fim do mês. E aí? Vou para onde?", questionou.
Proprietários e representantes das empresas terceirizadas contratadas pela Fórmula Empreendimentos também participaram da manifestação. Jurandir Izidoro da Rocha, proprietário da Izidoro Bravo, alegou que a empresa não repassou os valores em dia. "Temos mais 60 casas para terminar. Eu tinha 80 funcionários aqui. Tive que reduzir para 30. Temos uma medição de obra em atraso e outra que seria feita no dia 25 de maio não foi executada. Estamos sem respostas. Já tive que vender carro, fazer financiamento e empréstimo, para pagar os funcionários dispensados", explicou.
"Estamos sem parte do repasse da nota de fevereiro [referente a medição realizada no primeiro bimestre]. Tenho pago as despesas com o meu dinheiro. A empresa até prometeu depositar R$ 13 mil hoje, mas isso não vai dar para nada", afirmou Silvio Celso Machado, representante da WJ que mantém 29 funcionários no local.
Segundo os trabalhadores, os atrasos no repasse são constantes. No mês de março, as obras chegaram a ser interrompidas por 30 dias. O carpinteiro Laércio Ferreira da Silva contou que espera receber os valores em atraso para retornar ao nordeste do país onde a família mora. "A gente veio achando que ia dar tudo certo. Estava até bom, mas de março para cá ficou desse jeito. Está todo mundo com as contas atrasadas", lamentou, ao lado dos amigos vindos do Piauí.
A Fórmula Empreendimentos informou apenas que houve atrasos nos repasses que deveriam ter sido feitos pelo governo federal e não revelou prazos para que a situação seja regularizada. Conforme os funcionários do canteiro de obras, as unidades deveriam ter sido entregues em janeiro deste ano. Com atrasos justificados pela construtora, o prazo foi prorrogado para janeiro do ano que vem. A reportagem entrou em contato com o Ministério das Cidades, mas não recebeu retorno até o fechamento da edição.

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