Obras 'paradas' incomodam moradores
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quinta-feira, 28 de junho de 2012
Micaela Orikasa <br> Reportagem Local 
Há dois anos, a dona de casa Edilene da Silva Brandoim, moradora do Conjunto Maria Celina (Zona Norte de Londrina), acompanha a construção do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) do bairro, localizada nos fundos de sua casa.
A abertura da creche seria a solução para que ela pudesse trabalhar, porém, devido às irregularidades na obra, Edilene ainda não poderá contar com o serviço. ''Não tenho com quem deixar meu filho. Já procurei outras creches, mas nenhum lugar próximo tem vaga. Aqui no Maria Celina, assim como eu, tem outras mães que precisam deste Centro para poder trabalhar. Estamos esperando há muito tempo'', diz.
Além do funcionamento do local, outra preocupação dos moradores é em relação ao vandalismo. ''As pessoas invadem para usar drogas e já teve até casos de roubo de materiais de construção. Meu medo é que vire um mocó'', alerta Edilene.
Na obra, é possível constatar infiltrações no teto, rachaduras em muros e calçadas, além de água parada. ''É uma palhaçada. Está tudo estragando, enquanto as mães e crianças do bairro estão dependendo desta creche'', reclama outra moradora Gisele Mendes, ao ressaltar a importância de ter uma vigia no local. ''Enquanto a prefeitura não resolve o problema, ao menos podia colocar um vigia para dar mais segurança para a construção e para os moradores'', diz.
A ordem de serviço da CMEI foi assinada em 2010 pelo prefeito Barbosa Neto, com início das obras previsto ainda naquele ano. A princípio, o local deveria funcionar nos primeiros meses de 2012, atendendo cerca de 200 crianças entre 0 e 5 anos, em um espaço de 1,2 mil metros quadrados. A demanda de crianças que aguardam vagas nas CEIs do município é estimada em 2 mil.
Os investimentos na obra são de R$ 1.594.323,17 com recursos provenientes do Programa Nacional de Reestruturação e Aquisição de Equipamentos para a Rede Escolar Pública de Educação Infantil (ProInfância).
Irregularidades
A obra da CMEI Maria Celina está parada há quase um mês. Cerca de 20 trabalhadores paralisaram os serviços devido a irregularidades no pagamento. Alguns operários não receberam corretamente e outros com cheque sem fundo, segundo o advogado Jorge Custódio, representante do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil e Mobiliário de Londrina (Sintracom). De acordo com ele, o sindicato recebeu reclamações de irregularidades trabalhistas desde o começo do ano.
A empresa responsável pela obra é a Construlondri, representada por Rosana Carrasco Lopes. De acordo com ela, a construtora não foi informada que a obra seria iniciada com apenas 50% dos recursos. ''Quando chegamos na metade do valor, em julho de 2011, a prefeitura disse que nós teríamos que aguardar para receber o restante do dinheiro, pois ainda seria liberado pelo governo'', afirma.
Rosana explica que de julho a dezembro de 2011 a Construlondri recebeu apenas um pagamento. Em janeiro deste ano, recebeu mais uma parcela, mas que é insuficiente para remunerar os trabalhadores. ''No final de abril, o restante do recurso foi liberado, mas nossa empresa já estava com problemas na Justiça, pois, além dos empregados, estávamos devendo para fornecedores'', explica.
De acordo com Rosana, a Construlondri acionou um advogado para se informar sobre qual providência tomar. Ela alegou também que os trabalhadores entrarão na Justiça com uma ação coletiva.
A Secretária Municipal de Educação, Virgínia Pelisson Laço, foi procurada para comentar o assunto, mas não houve retorno até o fechamento da edição.


