A complexidade dos conteúdos deveria ser a principal barreira que separa os estudantes do diploma universitário. Para os alunos das instituições particulares localizadas às margens da PR-445, na Zona Sul de Londrina, no entanto, os obstáculos iniciam-se antes da chegada à sala de aula.
As obras do viaduto nas proximidades do Catuaí Shopping e o grande fluxo de veículos, em especial nos horários de pico, transformaram o simples ato de atravessar a rua numa atividade de risco. O problema é enfrentado principalmente pelos estudantes obrigados a descer do outro lado da rodovia. Mas também por trabalhadores que circulam todos os dias pela área.
Aluna do curso noturno de pedagogia, Silvanil Nogueira Laite de Araújo, 44 anos, encara a dificuldade todo início de noite, após desambarcar do coletivo vindo do Jardim São Lourenço. ''Os carros não respeitam os pedestres. Por causa da obra, o fluxo da pista normal e da marginal estão numa só.''
Na semana passada, Silvanil e um gupo de 15 colegas quase foram atingidas ao tentar cruzar a rodovia. Para ela, a solução é estender o trajeto da linha 904 até a faculdade dela, após o retorno do viaduto na Avenida Madre Leônia. Outra reivindicação é o aumento do número de opções de horários. ''Se perdemos o ônibus das 18h15 só tem outro meia hora depois'', declara.
A situação arrasta-se desde abril do ano passado, quando começou a obra. Para quem trabalha na região, melhorias na sinalização poderiam amenizar os riscos. As atendentes Aline Dionísio Alves, 21, e Carina Godoy da Silva, 22, sobem e desembarcam do ônibus no ponto nas proximidades da obra. Segundo elas é comum que os veículos que vêm da pista rápida quase colidam com os da marginal, na confluência.
''Teria que ter mais sinalização. É uma obra que começou há tanto tempo e ainda deve demorar, poderiam ser feitas algumas melhorias, como (a colocação de) semáforo e passarela'', sugere Carina. ''O problema é que os dois querem a preferência. E é pior para os pedestres'', acrescenta Aline.
De acordo com o pintor José Roberto da Silva, 38, as ameaças aos pedestres são ainda maiores por culpa da imprudência dos motoristas. Para ''cortar caminho'', alguns optam por fazer o retorno nos canteiros em obras,u em vez de seguirem até o viaduto. Em menos de meia hora no local, a reportagem flagrou dois condutores usando o ''atalho.'' A falta de calçadas é outra dificuldade para os pedestres, para quem o risco para ir e vir já é parte da rotina.

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