Obras não possuem seguro
Curitiba - As obras foram retiradas de uma sala que era cotidianamente trancada. Ninguém entrava sem a presença de uma funcionária concursada. Transitam diariamente pela Biblioteca Pública cerca de 3,5 mil pessoas. No máximo três visitavam a sala com obras raras.
Apenas um dos visitantes, cujo retrato falado foi divulgado ontem, teria levantado suspeita. As investigações mostraram que ele apresentava nome e endereço falsos. Era normal vê-lo fotografando capas de livros no telefone celular. O diretor da Biblioteca Pública, Cláudio Gamas Fajardo, acredita que o material era transmitido por e-mail para a quadrilha ou para colecionadores. Nenhuma das obras furtadas tinha sistema anti-furto.
Existe a possibilidade dos 120 livros terem sido retirados num final de semana, quando apenas um segurança fazia a guarda do prédio e a ronda interna. ''É muito difícil sair do prédio com poucos livros de uma vez e várias vezes. É mais fácil carregá-los de uma vez. Desde que tenha havido colaboração interna'', disse. Apenas a porta da sala das obras raras teria sido forçada.
A sala de obras raras tem um acervo de 3,5 mil livros. A cada cinco meses, todos os livros são catalogados num inventário. ''A sala só é frequentada por pesquisadores. Noventa por cento do tempo ela está vazia'', disse Fajardo. Dos funcionários do prédio, apenas os da segurança e da limpeza são terceirizados. Os demais são contratados por concurso público. O prédio da Biblioteca tem câmeras em locais isolados, mas nenhuma delas estava em funcionamento. As obras não possuem qualquer tipo de seguro.
''Vamos ter que pensar numa forma mais eficaz de fazer o acompanhamento destas obras para evitar novos casos de furto. Talvez a informatização seja uma das saídas para que possamos agilizar os inventários.'' A divulgação do furto, segundo Fajardo, não ocorreu anteriormente a pedido da polícia. Existia a possibilidade de que os integrantes da quadrilha voltassem a cometer os furtos. Uma sindicância interna foi aberta e os trabalhos devem ser concluídos em 15 dias. Se houver indício de irregularidade, deverá ser aberto um processo administrativo. (L.P.)





