A obra de revitalização começa a mudar a cara da Avenida Saul Elkind (zona norte de Londrina), uma das principais vias da cidade. Os trabalhos iniciaram no final do ano passado e a previsão é de que estejam concluídos em agosto deste ano. Por enquanto, foi feita boa parte da obra de drenagem da água e reforma de bocas de lobo e funcionários da empresa Gabriel & Filhos, que venceu a licitação para a execução do projeto, trabalham na reforma das calçadas, com a colocação de paver e piso tátil. Os novos postes de iluminação também já estão colocados e prontos para receberem a fiação e as luminárias, que sairão do canteiro central e serão instalados nas calçadas.
À medida que a obra avança, os comerciantes e moradores da região passam a conviver com a sujeira, o barulho e a dificuldade de mobilidade, mas nenhum deles demonstra se incomodar com os transtornos. "Não tem como fazer omelete sem quebrar os ovos", comparou o comerciante Ronaldo Argico. Na semana passada, trabalhadores faziam a colocação do piso da calçada em frente ao açougue dele, dificultando o acesso ao estabelecimento, mas ele disse não se importar.
"Essa obra é um mal necessário. Precisava revitalizar a Saul Elkind pela importância que a avenida tem para a cidade. A única coisa ruim da obra é que cortaram várias árvores que estavam sadias, mas atrapalhavam as obras. Espero que eles plantem novas árvores", disse a vendedora Mônica de Fátima Barbosa, que trabalha em uma loja de presentes da avenida e mora na região desde que nasceu.
Quando a reportagem esteve no local, uma retroescavadeira retirava o revestimento da calçada em frente ao Depósito Alvorada para abrir espaço para a colocação do paver. Do lado de fora, muita sujeira. Do lado de dentro, o barulho da máquina trabalhando. Mas não é a bagunça nem o ruído o que mais incomodam o proprietário da loja, Luiz Carlos Pereira. Para ele,a falta de vagas de estacionamento na avenida seria um problema mais urgente a se resolver. "Houve um grupo de cinco ou seis comerciantes lutando pela revitalização, mas há coisas mais importantes a serem feitas. Com o crescimento da região, surgiu o problema da falta de vagas para estacionar. A lei municipal não permite estacionamento na diagonal, então vai ficar difícil resolver."
A revitalização da Saul Elkind compreende o trecho entre a Avenida Angelina Ricci Vezozzo e a Rodovia Carlos João Strass. Além de mudanças na iluminação e da reforma nas calçadas e sistema de drenagem, o projeto prevê o recapeamento asfáltico, a sinalização horizontal e vertical, o rebaixamento de guias para facilitar a acessibilidade de pessoas com dificuldades de locomoção, a implantação de ciclovias e mudanças no estacionamento. A obra é financiada com recursos do Paranacidade e está orçada em R$ 1,9 milhão.
Segundo o engenheiro da empresa Gabriel & Filhos, Tiago Iasbeck, o prazo para a execução do projeto é apertado, mas o cronograma vem sendo cumprido. A preocupação da empresa, afirmou ele, é criar o menor impacto possível na região. "Não podemos aumentar o ritmo da produção porque isso iria gerar mais transtornos e estamos tentando minimizar o máximo possível o impacto causado pela obra, mas estamos fazendo tudo dentro do prazo. Está bem tranquilo."
O engenheiro também esclareceu a forma de colocação do piso tátil, que tem gerado dúvidas na população. Pelo método de trabalho adotado pela empresa, uma equipe coloca o paver e, mais tarde, uma outra equipe remove o paver recém-colocado para a instalação do piso tátil. Para quem observa a forma de execução do trabalho, fica a impressão de desperdício de tempo e material, mas Iasbeck explicou que a empresa optou por trabalhar dessa forma porque deixar o espaço vazio para a colocação do piso tátil poderia fazer os blocos de paver já colocados se moverem. "O paver não tem travamento. Se deixarmos o espaço, ele vai se movimentando e dá mais trabalho. Remover o paver já colocado é fácil. Dá para tirar com a mão."
O secretário municipal de Obras, Walmir Matos, informou que entre 35% e 40% do serviço já foram concluídos. "O que demorou foi a autorização da obra, a poda de árvores, mas agora o ritmo está normal. Tem uma área muito grande de calçada, mas tudo está dentro do prazo. E o clima também está ajudando. No começo do ano, as chuvas atrapalharam, mas agora está tudo normal."

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