Obras justificam fim do pedágio, diz secretário
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quarta-feira, 15 de junho de 2005
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Seis dias depois de perder uma disputa judicial com a consessionária de rodovias Caminhos do Paraná, o Governo do Estado anunciou o fim da cobrança de pedágio na Ponte de Guaíra - sobre o rio Paraná e que liga o Estado ao Mato Grosso do Sul - e o início da elaboração do projeto para duplicação de 17 km da PR-445, entre Cambé (13 Km a Oeste de Londrina) e a Universidade Estadual de Londrina. As medidas, segundo o secretário estadual de Transportes, Waldir Pugliesi, vão ''provar que não há necessidade de cobrança de pedágio no Estado, uma política neoliberal geradora de fome e de pobreza'', conforme dito ontem, em uma coletiva de imprensa concedida na Sede do Departamento de Estradas e Rodagem (DER) de Londrina.
As obras integram o pacote de reformas amplamente divulgado pelo Palácio Iguaçu desde o início do ano e que prevêem investimentos de R$ 800 milhões no reparo de 4 mil quilômetros, do total de 10 mil quilômetros, da malha viária do Estado, com recursos próprios e do Banco Mundial (Bird).
Além da duplicação do trecho da PR-445, o secretário também reafirmou o compromisso de duplicar a Rodovia Carlos João Strass - que liga Londrina aos distritos rurais na Zona Norte da cidade - e de levantar o viaduto sobre a PR-445, entre os bairros Jamile Dequech e União da Vitória, na Zona Sul. Ainda de acordo com Pugliese, o programa já promoveu o reparo de 1,2 mil quilômetros de rodovias e sinalizou outros 1,1 mil quilômetros, além de já ter contratado empresas para reparos emergenciais em mais 475 km.
Na região norte do Estado, 2,5 mil quilômetros estão incluídos no programa de manutenção. O superintendente geral do DER, Rogério Tissot, prometeu para meados de 2006 a entrega do viaduto sobre a PR-445 e da duplicação da Carlos João Strass, ambas já em fase de implantação. De acordo com o superintendente regional do Departamento, Wilson Bazzo, o projeto para duplicação da rodovia ainda está sendo elaborado e deve ser concluído em 4 meses.
Os anúncios aconteceram quase uma semana depois de a Justiça ter autorizado à Caminhos do Paraná o aumento de tarifas em até 42%, em cinco praças administradas pela concessionária. A decisão retomaria os moldes originais do contrato, modificado no ano passado para que o Estado assumisse a responsabilidade pela manutenção das rodovias da companhia, em troca de redução do valor do pedágio em 30%. A concessionária alega que o Governo não cumpriu com o acordo, enquanto a procuradoria geral do Estado já disse que vai recorrer da decisão. O golpe, no entanto, foi sentido duramente pelo governador, que tem como uma das promessas de campanha a redução ou o fim da cobrança de pedágio no Estado.
''Reduzimos os custos de manutenção de rodovias em mais de 25% com relação ao governo anterior e estamos usando recursos fiscais de cerca de R$ 100 milhões para terminar as reformas até o final do ano que vem. A partir daí, a previsão é de que começe a sobrar dinheiro para obras de ampliação como duplicações'', destacou o secretário. ''Além disso, a partir de hoje (ontem) o Estado não cobra mais pedágio para a passagem sobre a ponte Guaíra. São medidas que mostram que não há necessidade de uma cobrança abusiva como a realizada pelas concessionárias, que deveriam ser eliminadas do Estado'', afirmou, destacando ainda que os projetos de implantação de pedágios-modelo foram totalmente descartados. ''Percebemos que não há necessidade disso'', explicou.


