Escondida atrás de um morro e distante 200 metros de uma das vias mais movimentadas de Londrina, uma piscina olímpica abandonada há pelo menos dez anos transformou-se em um dos mocós da cidade. Seus 1,2 mil metros quadrados também estão entre um dos maiores focos do mosquito da dengue (Aedes aegypti) da cidade. Embora mais convencionais que o centro esportivo citado, outras 29 obras inacabadas estão em um levantamento feito pela Secretaria de Obras, que promete ampliar a fiscalização nestes locais.
Esta é apenas uma entre dezenas de obras particulares que pararam no meio do caminho, onde o tempo as transformou em focos de doenças, abrigos usados por moradores de rua e dependentes de drogas ou simplesmente em monumentos às crise financeira do País ou à ''feiura'', como afirmam os moradores vizinhos. ''Trabalho há 13 anos neste mesmo local e pelo menos há oito anos vejo este esqueleto aí em frente. Além de deixar o bairro feio, virou um local perigoso'', disse o funileiro Araildes Barbosa dos Santos, 44 anos, referindo-se a um prédio em obras adquirido há anos pela Sercomtel S/A.
A armação de concreto, localizada no cruzamento das ruas da Lapa com Dulcídio Pereira (próximo ao Zerão), teve cinco andares construídos e parou por aí. Os últimos pisos não contam nem mesmo com paredes. A Sercomtel negociou o imóvel com a prefeitura em 1994 e agora aguarda uma decisão jurídica para tentar vendê-lo. A empresa tentou leiloar a área no início deste ano, mas entraves jurídicos impediram a negociação (veja texto nesta página).
Na Avenida Prefeito Faria Lima, próxima à Universidade Estadual de Londrina (UEL), um casebre sem portas nem janelas e uma piscina gigantesca estão sendo ocupados por delinquentes e viciados em drogas. A Folha esteve no local e encontrou água parada e roupas velhas. Os salões que seriam usados como vestiário transformaram-se em banheiros e ''motéis'' improvisados (o chão estava repleto de camisinhas usadas, fezes e resquícios de maconha e crack). O temor dos moradores próximos ao local é que algum crime venha a ocorrer ali. ''O que mais assusta é que não há cercas, nem vigilância e nem iluminação. O que seria um ótimo local de lazer virou um mocó'', comentou um dos moradores, que pediu para não ser identificado.
No cruzamento da Avenida Leste-Oeste com a Rua Manaus, toneladas de aço e ferro aguardam a complementação das obras há anos. Inicialmente, o terreno deveria sediar o maior shopping de equipamentos para automóveis da região mas, segundo o responsável pelo empreendimento, problemas burocráticos estariam retardado o andamento do projeto. O local conta com vigilância 24 horas, o que limita a entrada de pessoas estranhas.
Além destes imóveis, dezenas de outros prédios estão inacabados. O da Rua Gomes Carneiro nº 66, parado há mais de sete anos, é outro exemplo. A Construtora Brasília, primeira responsável pela obras, faliu há quase quatro anos, deixando o esqueleto para o banco financiador. Apesar de estarem em situação semelhante, seis prédios da Construtora Encol (que também decretou falência há quase quatro anos) tiveram destino diferente: os mutuários da empresa decidiram bancar do próprio bolso a finalização dos apartamentos a que tinham direito.

mockup