Seis meses após a visita do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, as obras de pavimentação da Estrada Boiadeira (BR-487), entre Campo Mourão e Cruzeiro do Oeste, estão paralisadas novamente. A visita do ministro, junto com o governador Jaime Lerner (PFL), ocorreu em 13 de março. Na época, havia expectativa de que o trecho poderia ser concluído até o final deste ano. Hoje, essa previsão não existe mais.
A nova paralisação dos trabalhos tem motivos diferentes para cada uma das três empreiteiras responsáveis pelos lotes do trecho de 75 quilômetros. A construtora CBMI, por exemplo, já concluiu sua parte, que era asfaltar 33 quilômetros a partir de Campo Mourão. A empresa, porém, ainda precisa construir duas marginais nos trechos urbanos dos distritos de São Geraldo e Nova Brasília. O dinheiro (R$ 2,1 milhões) foi liberado, mas falta o processo de desapropriação.
‘‘Somente em São Geraldo, mais de 20 casas terão que ser retiradas das margens da rodovia’’, explicou o engenheiro responsável pelo DNER em Campo Mourão, Marcelo Gasino. A expectativa é que os trabalhos sejam iniciados em outubro. Já a construtora RG, responsável pelo lote 3, entre Tuneiras do Oeste e Cruzeiro do Oeste, não iniciou as obras porque considerou o valor já liberado (R$ 1,5 milhão) muito baixo.
‘‘O problema é que não existem promessas de novos recursos para o trecho’’, explica Gasino. No lote 3, que vai do km 33 até Tuneiras do Oeste, a construtora Triunfo não iniciou as obras de pavimentação porque não foram empenhados recursos para o trecho. O asfaltamento da Estrada Boiadeira é uma reivindicação de mais de 40 anos da região de Campo Mourão. As obras foram iniciadas em 1986 e já tiveram várias paralisações.
Durante a visita às obras, em março, o ministro disse que a conclusão da Boiadeira era ‘‘praticamente certa’’. ‘‘Trata-se de uma das rodovias mais importantes do Brasil e a obra foi incluída como prioridade pelo governo Fernando Henrique’’, disse Padilha na época. Segundo ele, a segunda etapa da pavimentação, entre Cruzeiro do Oeste e Porto Camargo, na divisa com o Mato Grosso do Sul, deveria ficar para o ano que vem.

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