Começam na próxima segunda-feira as obras para a construção do Centro de Detenção de Londrina. A ordem de serviço autorizando as atividades foi assinada ontem pelo governador Roberto Requião, pelo secretário estadual de Justiça e Cidadania, Aldo Parzzianelo, e pelo prefeito Nedson Micheleti, em solenidade realizada na sede da administração municipal. Os investimentos somam R$ 11 milhões.
Visto como solução provisória para a superlotação dos distritos policiais (DPs), o Centro expôs ainda ontem a primeira divergência quanto ao tema: enquanto o juiz da Vara de Execuções Penais (VEP) de Londrina, Roberto do Valle, defende a demolição das carceragens dos DPs, Parzianelo garante que as unidades vão continuar funcionando.
O Centro de Detenção de Londrina é uma reivindicação antiga das autoridades policiais da cidade. ''Anuncio com tristeza a construção de uma nova unidade, porque não temos que aumentar o número de presos no País, mas sim promover políticas de inclusão social'', afirmou o governador. ''No entanto, é uma solução emergencial para os problemas nas carceragens da cidade e está vindo com mais oito unidades por todo o Estado, que devem dobrar a número de vagas no Paraná até junho de 2006'', continuou.
Consumindo investimentos na ordem de R$ 11 milhões, o Centro será construído ao lado da Casa de Custódia de Londrina (Zona Sul) e, segundo o engenheiro do Departamento de Construção Civil da Secretaria Estadual de Obras, Valmir Matos, deve ser entregue em 10 meses. Vai empregar 170 funcionários e, com 10 mil metros quadrados de área construída, terá capacidade para 600 detentos em regime provisório, 264 condenados e 96 em regime especial. ''Este valor representa um terço do que o governo anterior gastava com as unidades prisionais'', garantiu Requião.
A ''solução emergencial'' a que o governador se refere é o desafogamento dos distritos da cidade, que hoje têm 150 vagas, mas abrigam 390 detentos, o que, além de gerar um clima constante de tensão, obriga policiais civis a ficar nos DPs para cuidar dos presos, emperrando investigações.
''Ao fim da construção do Centro, vamos manter os distritos somente para efetuar as prisões em flagrante em aguardo de julgamento. A desativação está descartada'', afirmou, mesmo reconhecendo que, desta forma, o problema com os investigadores não será solucionado. ''Os policiais vão ter que continuar a cuidar dos presos'', afirmou.
O juiz da VEP manifestou posição contrária à do secretário, contestando a competência de Parzzianelo para decidir sobre o tema. ''Isto não é atribuição dele, e sim do secretário de Segurança Pública (Luiz Fernando Delazari). Inclusive eu já sugeri a demolição dos distritos e o Delazari concordou. Somente o 2º DP seria mantido para triagem dos presos'', disse.

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