Rolândia – Por causa da chuva do início do ano, o município registrou a queda de 13 pontes, 39 instalações públicas de ensino danificadas, 50 residências destruídas e outras nove mil com estragos, mil pessoas desalojadas e 36 desabrigadas. Unidades básicas de saúde também enfrentaram problemas com goteiras e rachaduras. O asfalto de centenas de vias foi destruído e as galerias pluviais ficaram entupidas pelos sedimentos carregados pelas águas.
Embora tenha decretado estado de calamidade pública, condição que permite o reconhecimento pelos governos estadual e federal para captar recursos, o município ainda não recebeu ajuda da União. "O governo do Estado doou 20 mil litros de óleo diesel e cedeu dois maquinários da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) para auxiliar nas obras de reconstrução. Nós também conseguimos recursos de três emendas para recape asfáltico, no valor de R$ 1,2 milhão, só que o dinheiro não é para reconstrução", destaca o prefeito de Rolândia, Luiz Francisconi Neto (PSDB).
O secretário de Governo e membro da Defesa Civil do município, Antônio Souza, relata que é difícil aguardar pelos recursos federais. Ele ressalta que um dos municípios que entrou com um pedido de recursos por calamidade em 2014 só recebeu a liberação de recursos no dia 19 deste mês. "Por este motivo nós não podemos ficar esperando."
Em geral, as obras de reconstrução têm sido realizadas com recursos do próprio município e também com ajuda de terceiros. Segundo o secretário de Infraestrutura, Vanderlei Massuci, as empresas JBS e Vancouros "financiaram" o conserto das pontes sobre os ribeirões Ema e Bandeirantes porque ficaram isoladas e não havia como escoar a produção. "Eram as pontes mais fáceis de refazer", afirma.
O serviço, porém, não agradou a todos. Na ponte sobre o Ribeirão Bandeirantes, conhecida como Ponte da Sanepar ou do Vanzela, o motorista de caminhão Ademir Aparecido Damico afirma que a situação está longe do ideal. Isso porque a reconstrução foi realizada de maneira paliativa. "É um descaso. Há 15 dias quebrei uma ponta de eixo passando por aqui. A Estrada dos Pioneiros também está bastante danificada, com muitos buracos no asfalto."
O prefeito apontou que existe um projeto de recuperação da Estrada dos Pioneiros e dessa ponte. "A estrada vai até o Museu da Imigração Japonesa e possui 2,7 km de extensão. Estamos perto de assinar um convênio com o Governo do Estado para essa recuperação e como o projeto está bem avançado preferimos aguardar para não investir o dinheiro em algo que não recuperaríamos os recursos", aponta.
Massuci ressalta que a galeria pluvial da estrada foi totalmente destruída e há a necessidade de fazer um recape total, e não apenas tapa-buracos. O secretário destaca que praticamente todas as pontes destruídas foram refeitas, pelo menos paliativamente.
Os maiores estragos aconteceram em uma das duas pontes do Deizinho do Vermelho, a da Arcol, e da Estrada do Caramuru, que interliga Rolândia, Cambé e Londrina. "Só a ponte do Deizinho e a do Caramuru não receberam um paliativo. Os agricultores têm reclamado bastante porque o percurso aumentou em até 20 km. Decidimos fazer os reparos com recursos próprios", destaca Massuci. (V.O.)

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