Divulgação‘‘Ameaça’’Projeto inclui 4 pontes com quase 4 km de extensão, além de aterro com 14 km sobre ilha do Rio ParanáAmbientalistas querem um novo Relatório de Impacto Ambiental (Rima) para a ponte em construção sobre o Rio Paraná, em Porto Camargo, município de Icaraíma (67 km a noroeste de Umuarama). A ponte liga Icaraíma a Naviraí, no Mato Grosso do Sul. É a segunda grande ponte sobre o ‘‘Paranazão’’ ligando Paraná e Mato Grosso do Sul. A primeira, entre Guaíra e Mundo Novo, foi inaugurada dia 24.
As entidades alegam que o Rima da ponte de Porto Camargo, elaborado em 1988, está ultrapassado e precisa ser refeito, considerando que a região virou área de preservação federal. A ponte agora corta o Parque Nacional de Ilha Grande, criado em setembro do ano passado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. O impacto da ponte sobre o ecossistema do parque começou a ser discutido esta semana entre o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), responsável pela obra, e os órgãos de proteção ambiental.
As obras incluem a construção de quatro pontes com quase quatro quilômetros de extensão no total (sobre o Rio do Veado, canais leste e oeste do Rio Paraná e sobre o Rio Amambai), além de aterro com quase 14 quilômetros sobre a Ilha Bandeirantes, uma das maiores do parque. O DER precisa renovar junto ao Ibama a licença ambiental, vencida em meados do ano passado, para prosseguir a construção das pontes e obter nova licença para o aterro.
É justamente o aterro que mais preocupa os órgãos de proteção ambiental. Entre outros problemas, a barragem impediria a passagem de animais silvestres que habitam as ilhas, facilitaria o acesso de caçadores e pescadores, aumentaria o risco de incêndios e atropelamento de animais. Segundo o diretor da Área de Proteção Ambiental (APA) de Icaraíma, Nilson Luiz Maran, os ambientalistas querem que o DER substitua o aterro por ponte sobre pilares, embora isso possa triplicar o valor da obra.
O diretor geral do DER, Paulinho Dalmaz, reconhece que a ponte vai causar danos ao meio ambiente no parque (uma área de quase 100 mil hectares distribuídos por 300 ilhas e várzeas do Paranazão). Entretanto, ressaltou que a ligação é de extrema importância para o desenvolvimento econômico dos dois estados. ‘‘Vamos elaborar um novo estudo, discutir o assunto com os ambientalistas e tomar todas as medidas possíveis para diminuir o impacto ambiental da ponte’’, assegurou Dalmaz.
Duas audiências públicas foram realizadas esta semana (uma em Icaraíma, a outra, em Itaquiraí, MS) para discutir a construção do aterro dentro do parque nacional de Ilha Grande. Novas audiências devem ser convocadas nos próximos meses envolvendo o DER, Ibama, Promotoria Pública, APAS de Icaraíma e Vila Alta e a diretoria do parque. A ponte começou a ser construída em 1988, parou em 90 por falta de dinheiro e recomeçou em 96. Cerca de R$ 40 milhões já foram investidos na obra, cuja 1ª fase (a das pontes) deve ser ficar pronta até outubro.

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