Vânia Moreira
O Parque das Jabuticabeiras, um dos bairros mais populosos de Umuarama e a principal ameaça ao sistema de abastecimento de água da cidade, ganhou este ano obras de infra-estrutura capazes de reduzir em parte a poluição e o assoreamento do Rio Piava, o manancial que fornece água potável à população. A prefeitura e a Superintendência de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa) aplicaram mais de R$ 500 mil para implantar galerias de águas pluviais no bairro e construir lagoas de retenção para reduzir o impacto da enxurrada que desce para o leito do rio. Concluídas as galerias, a prefeitura começou a asfaltar as ruas do bairro.
Havia 15 anos a comunidade local cobrava a instalação de infra-estrutura no Jabuticabeiras para conter os estragos ao manancial de abastecimento. Vários projetos foram apresentados, mas acabaram engavetados por falta de verbas. Em 95, a prefeitura e a Suderhsa começam a construir galerias no Jabuticabeiras. As obras pararam alguns meses depois e foi preciso mais dois anos de reivindicações para serem retomadas.
O agravamento do problema ano passado obrigou Estado e município a dar prioridade ao Parque das Jabuticabeiras. Ano passado, o sistema de abastecimento sofreu cinco colapsos por causa do excesso de chuvas, deixando mais de 80% da cidade sem água. Quando chove demais, toneladas de terra e lixo descem para o leito do Piava, obrigando a Sanepar a parar a captação e limpar o reservatório.
A empresa foi obrigada a criar um serviço permanente de dragagem no rio e retira todo mês, em média, dois mil metros cúbicos de areia do reservatório. Há dois anos, o Instituto Ambiental do Paraná constatou que a profundidade do rio está diminuindo rapidamente. Em cinco anos, a lâmina d’água diminuiu, em média, 60 centímetros.
O Parque das Jabuticabeiras foi loteado no início dos anos 80, mesmo com parecer desfavorável do IAP, então ITCF. O Rio Piava é o único manancial com condições de abastecer a cidade de mais de 70 mil habitantes que consomem 12 milhões de litros de água por dia. Mesmo assim, o bairro cresceu rapidamente e sem nenhuma infra-estrutura.
No início de 90, a prefeitura proibiu a expansão do bairro, mas as ocupações continuaram. Até hoje, os donos não têm escritura dos terrenos. Foram implantados quase sete mil metros de galerias que vão despejar a água da chuva em lagoas de retenção para diminuir a força das águas. As galerias foram concluídas em maio. Agora, a prefeitura está asfaltando 13 ruas do bairro, num total de 17, 2 mil metros quadrados.

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