Obras da Sanepar deixam um rastro de destruição
É simplesmente impossível desviar de todos os buracos nas vias mais críticas de Londrina. Mas, ainda que os motoristas conseguissem a proeza, os solavancos seriam assegurados pelas dezenas de tampas de bueiros rebaixadas, canaletas deixadas por obras e ondulações resultantes de recapeamentos e excesso de peso dos veículos.
''O maior problema são os buracos deixados pela Sanepar, que abre as ruas e não volta para tampar. Está uma vergonha, a prefeitura deveria fiscalizar mais. Às vezes você se depara com um 'serviço' desses e breca de repente, arriscando provocar um acidente'', queixa-se o taxista Santana, que tem ponto na Rua Souza Naves e está cercado de exemplos. Na esquina da Rua Paes Leme com a Brasil, no Centro, a reportagem encontrou um desses buracos, equivalente ao tamanho de um carro pequeno.
Mas foi na periferia que o aposentado Darci Gumiero, 75 anos, provou que os pedestres também sofrem com as obras deixadas para trás. Ele virava a esquina da Rua Aquário com Mercúrio, perto de sua residência no Jardim do Sol (Zona Oeste), quando escorregou no barro e pedras deixados por uma obra da Sanepar. ''Ele levou quatro pontos no queixo, dois na sobrancelha e quebrou a dentadura'', conta a esposa, Creuza, 59. Darci diz que gastou cerca de R$ 500 com despesas médicas. O incidente ocorreu há nove dias e ele ainda não se recuperou completamente.
Assim como ele e o taxista, muitos londrinenses reclamam da demora nas reparações de asfalto após as obras. Depois que o serviço acaba, alguns buracos ficam abertos durante dias. O gerente-geral da Sanepar na região metropolitana de Londrina, Sérgio Bahls, alega que a companhia tem um convênio com a prefeitura, que fica responsável por tapar os buracos. Ele garante que diariamente é repassada à Secretaria Municipal de Obras uma relação com os locais onde foram feitas obras.
''São intervenções comuns e necessárias, como consertos de rede, desobstrução de esgotos. Após o término, nós fazemos a compactação, colocamos brita e uma nata com cimento até que a prefeitura possa concluir o reparo. Existe o maior cuidado para que não haja grandes transtornos'', argumenta. Segundo Bahls, são feitas em torno de 550 manutenções por mês na área urbana de Londrina.
O gerente ressalta que a companhia fechou contrato emergencial de 90 dias com uma empresa terceirizada para preencher a lacuna deixada pela greve dos servidores municipais. Nesse período, a empresa fará o trabalho que seria de responsabilidade da prefeitura. ''Eles estão tapando entre 35 e 40 buracos por dia. Além das novas demandas, temos 150 reposições (de buracos) acumuladas'', informa. (V.N.)





