Da Redação
As obras da Cadeia Pública de Londrina voltarão ao ritmo normal a partir de 1º de outubro. A decisão foi tomada, ontem, numa reunião entre o governador Jaime Lerner (PFL) e o secretário de Obras do Estado, Augusto Canto Neto. Hoje, o presidente do Departamento Estadual de Construção, Obras e Manutenção (Decom), Moisés Nascimento Castanho, oficializa a empreiteira Sial, de Cascavel, responsável pela construção, para que volte a contratar funcionários para a retomada dos trabalhos.
Desde junho deste ano as obras estão praticamente paradas. Na semana passada, uma série de reportagens da Folha detalhou a situação dos distritos policiais que estão superlotados. O problema só será resolvido com a conclusão da Cadeia Pública.
Dos 100 funcionários contratados pela Sial, em agosto de 98, quando a construção começou, sobraram apenas seis trabalhadores. O governo do Estado alegou que não tinha recursos financeiros para concluir os trabalhos.
Canto Neto explicou que um novo cronograma foi elaborado esta semana, a pedido de Lerner, depois da polêmica criada em torno da obra. O secretário de Fazenda do Paraná, Giovani Gionédis, disse em Londrina que a construção da cadeia e a reforma do Hospital Universitário (HU) não eram prioridades.
Na ocasião, Gionédis afirmou que não havia recebido ordens para ‘‘pagar nada’’ e que Londrina não podia reclamar porque recebeu muitos recursos do governo do Estado nos últimos quatro anos. Ele também declarou que não há recursos para a reforma do HU e que, se a Universidade Estadual de Londrina gerenciasse bem seus recursos, teria dinheiro suficiente para bancar a obra.
Pelo novo cronograma, a obra da cadeia termina em agosto de 2000 – inicialmente, ela estava prevista para ser concluída em agosto deste ano. Dos R$ 2,5 milhões orçados anteriormente, o custo da construção passou para R$ 3 milhões. O Estado já repassou R$ 364 mil referente aos trabalhos executados e medidos até maio passado. Resta, agora, o pagamento de mais R$ 2,6 milhões, que serão acertados em parcelas, conforme a execução da obra.
O secretário de Obras garante que o Estado não está em débito com a Sial. Todo o trabalho executado e medido foi acertado. Agora, só resta pagar a parte construída depois de junho e que ainda não foi verificada. Segundo Canto Neto, isto não representa quantia significativa porque eram poucos homens mantidos no canteiro de obras.
A primeira parcela, a ser paga no mês que vem, é de R$ 70 mil. E a última parcela, que será quitada em agosto de 2000, será de R$ 130 mil. ‘‘Os maiores valores serão pagos entre março e junho por questões técnicas’’, explicou. Canto Neto não acredita que o atraso na conclusão da cadeia vai representar problema junto ao empresário que doou o terreno para a construção, Luis Roberto Ferrari. Pelo contrato, se a construção não acabasse até o final de 99, o terreno e benfeitorias retornariam ao proprietário: ‘‘Desde o primeiro momento temos um excelente diálogo’’.
Ontem, antes da retomada da obra ser anunciada, o prefeito Antonio Belinati (PFL) disse à Folha que pretendia organizar uma comitiva para participar de uma audiência com o governador para tratar da liberação de recursos para a construção da cadeia e reforma do HU. Hoje, a Câmara Municipal analisa pedido de voto de repúdio a Giovani Gionédis.

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