Curitiba

Albari RosaVantagensTomford, a maior autoridade mundial em transplante ósseo: ‘‘Rejeição oferecida pelos pacientes é quase nula e o osso não necessita ser substituído’’O primeiro Banco de Ossos do Brasil, que está sendo criado no Hospital das Clínicas, em Curitiba, poderá entrar em funcionamento ainda no final deste ano. Apesar da falta de recursos e de apoio governamental, as obras de reforma do Centro de Ortopedia do HC, que abrigará o banco, deverão ser iniciadas já na próxima semana. Os médicos vão investir os R$ 40 mil arrecadados até o momento para patrocinar a obra, e esperam conseguir a doação de material de construção para terminar a reforma. Quando estiver pronto, a estimativa é que o Banco de Ossos permita que cerca de 10 mil transplantes sejam feitos por ano somente no Paraná.
Ontem, o médico ortopedista americano William Tomford, considerado a maior autoridade mundial em transplante ósseo, esteve em Curitiba defendendo urgência na criação dos bancos. Na abertura do I Simpósio sobre Banco de Ossos, promovido pelo Hospital das Clínicas, o médico afirmou que os transplantes são a única maneira de evitar os problemas causados pelas próteses artificiais. ‘‘Por ser um material natural, a rejeição oferecida pelos pacientes é quase nula, e o osso não necessita ser substituído’’, explica.
Nos Estados Unidos, onde existem mais de 40 bancos de ossos, são feitos por ano mais de 150 mil transplantes - no Paraná, este número não ultrapassa os 1,5 mil. A maior parte dos enxertos ósseos são utilizados para resolver problemas causados por câncer, fraturas graves, e prática desportiva. Além dos ossos, os bancos também armazenam tendões, cartilagens, músculos e tecidos ósseos. ‘‘A utilização destes materiais somente é possível se houver condições corretas de armazenagem’’, diz.
No Banco de Ossos do Massachusets General Hospital, chefiado pelo médico Tomford, os gastos anuais para manutenção do banco chegam a US$ 750 mil, boa parte deles aplicada em testes sanguíneos e exames médicos dos doadores. O rigor na qualidade do material utilizado é defendido pelo ortopedista como a única maneira de evitar que os receptores dos implantes sejam contaminados por doenças como sífilis, Aids e hepatite B. No Brasil, a estimativa é que cada um dos exames de teste de doadores custe em média R$ 5 mil.
Ao contrário da iniciativa brasileira de criação de um Banco de Ossos no HC, a maioria dos centros americanos de transplante recebem doações do governo. O Banco de Ossos de Massachusets, por exemplo, recebeu US$ 30 mil do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos para comprar os primeiros equipamentos e materiais para exames. ‘‘Aqui só nos resta apelar para a iniciativa privada’’, diz o ortopedista Paulo Alencar, um dos idealizadores do banco do HC.

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