Carlos AlmeidaPolêmicaA construção
da ponte
ligando
Itambaracá
a Cândido
Mota (SP)
é prioridade
para
empresários
e agricultores

Empresários e agricultores de Itambaracá (46 km a leste de Cornélio Procópio) iniciaram um movimento contra a tentativa do prefeito Servilho Cherubim Júnior (sem partido), de trocar obras já negociadas com a Companhia Energética de São Paulo (CESP) por outras, que devem ser executadas pelo Estado. Eles estão preparando um abaixo-assinado.
A negociação com a CESP faz parte do compromisso de execução de obras compensatórias por parte da companhia, em municípios afetados pela construção de usinas hidrelétricas. O prefeito pretende executar através da compensação a duplicação da ponte sobre o Rio Cinzas, que liga Itambaracá a Bandeirantes, e a pavimentação urbana. Os empresários e agricultores argumentam que a duplicação é uma obra de responsabilidade do Estado.
Eles acusam o prefeito de estar abrindo mão da construção da ponte que liga Itambaracá a Cândido Mota (SP), orçada em US$ 6 milhões, e a pavimentação asfáltica das estradas que ligam o distrito de São Joaquim do Pontal ao Porto Galvão (5 quilômetros) e o ramal que liga a estrada do Porto Almeida ao distrito Raul Marinho (2,5 quilômetros). As obras já contratadas através de convênios entre a Cesp e o Departamento de Estradas de Rodagens (DER).
‘‘A obra da ponte do Rio Cinzas já está projetada junto ao DER desde 96. Por que ele vai trocar obras que beneficiam o município por uma obrigação do Estado?’’, questiona o empresário Antônio Izidoro Malutta. Segundo ele, as estradas rurais asfaltadas beneficiariam diretamente centenas de pessoas que vivem nas comunidades rurais, principalmente em relação ao acesso à escola e ao escoamento das safras.
Quanto à ponte do Porto Almeida, que terá cerca de 300 metros de extensão e há dois anos teve as obras iniciadas, Malutta explica que será fundamental para o desenvolvimento do município. ‘‘Itambaracá está fora do eixo da BR-369, o que inviabiliza o progresso. Com a ponte, além do escoamento agrícola chegar a São Paulo rapidamente, a região terá um grande potencial turístico’’, afirma.
Na prefeitura, o assessor geral Antônio Emídio Neto respondeu pelo prefeito e rebateu as acusações. Segundo ele, em momento algum o prefeito mencionou a troca da ponte do Porto Almeida por benfeitorias na cidade. Na carta de intenções da CESP para Itambaracá, conforme explicou, não consta a construção da ponte. ‘‘Esta intenção está na carta de Cândido Mota (SP). Como podemos brigar por algo que não temos em nenhum documento a respeito’’, justificou.
O vereador Mário Fuzeto (PMDB), irmão do prefeito de Itambaracá, explicou que a administração municipal tem consciência que a duplicação da ponte do Rio Cinzas é do governo do Estado. ‘‘Mas já faz mais de 20 anos que está projetada e até hoje ninguém iniciou as obras’’, afirmou. Sobre a não-pavimentação das duas estradas rurais, Fuzeto disse que é possível, com o mesmo valor destinado para esta obra, asfaltar toda a cidade e duplicar a ponte do Rio Cinzas.
As duas obras, acrescentou o vereador, vão beneficiar quatro mil pessoas e não somente alguns produtores. ‘‘As duas estradas vão ser readequadas e cascalhadas. Ninguém vai ser prejudicado com isso’’, disse.
Há 10 anos, quando a CESP iniciou as negociações para a compra das áreas que serão inundadas dentro de um ano pelas usinas Canoas 1 e 2, o alqueire de terra valia US$ 10 mil. No entanto, foram negociadas a US$ 5 mil o alqueire em troca de benfeitorias. ‘‘A ponte do Porto Almeida era uma das promessas, por isso que aceitamos na época’’, explicou o agricultor Luiz Cruz, morador das margens do rio Paranapanema.

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