Em visita à Cadeia Pública Laudemir Neves, no Jardim 3 Fronteiras, em Foz do Iguaçu (Extremo-Oeste), ontem (8), o governador Beto Richa anunciou uma série de obras de caráter emergencial para melhorar as condições de vida dos detentos.

Richa autorizou a transferência do controle da cadeia da Secretaria de Segurança Pública para a de Justiça, dando início à correção de uma distorção no sistema penitenciário estadual. Hoje, cerca de 15 mil presos estão, indevidamente, sob controle da Sesp e serão transferidos para a área de Justiça, que controla 14,5 mil detentos.

O governador informou ainda que irá recuperar recursos federais para construir novos presídios e aumentar o número de vagas para detentos.

Superlotação
As obras na Cadeia Pública Laudemir Neves devem durar seis meses. Serão recuperadas alas que estavam interditadas em decorrência de um incêndio. Também será reformada a rede elétrica e hidráulica, refeita a pintura e consertados vazamentos. As obras ampliarão a capacidade da cadeia em 200 vagas. Atualmente, a unidade é ocupada por 319 detentos, 130 são mulheres.

A secretária Maria Tereza Uille Gomes disse que a prioridade é resolver a situação das mulheres, principalmente as 30 estrangeiras detidas na Cadeia Pública. A Secretaria de Justiça vai pedir apoio ao Ministério da Justiça para transferir as detentas estrangeiras para o país de origem. A maioria é do Paraguai.

As detentas do cadeião pediram a instalação de uma TV, livros e materiais para atividades manuais. A secretária disse que não vê problema em instalar um sistema de educação à distância, para que elas possam fazer cursos. Algumas poderiam, inclusive, ter a remissão de penas, por meio dos cursos e do trabalho.

Maria Tereza disse que já está prevista a abertura de um processo licitatório, ainda em fevereiro, para o projeto arquitetônico de um estabelecimento para o regime semi-aberto, com 330 novas vagas em Foz do Iguaçu. "Com isso conseguiremos tirar do regime fechado mais de 300 homens, que terão condições mais dignas."

Ela defendeu a necessidade de mudar a cultura de ociosidade nos estabelecimentos penais. "Precisamos ter os presos trabalhando. Temos 14,5 mil presos sob responsabilidade da Seju, dos quais pouco mais de 2 mil estão trabalhando. Se não há trabalho, pelo menos estudo."

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