A falta de planejamento e de uma política de continuidade dos projetos municipais das últimas administrações de Maringá contribuem para que a cada ano novos empreendimentos que teoricamente teriam grande importância para a coletividade fiquem abandonados por um longo período. Em alguns casos, a situação é pior ainda, já que as obras são concluídas mas demoram para entrar em funcionamento.
Em operação desde o último dia 25 de abril, o Aeroporto Regional de Maringá é um dos recordistas entre as obras que mais demoraram para sair do papel. A desapropriação da área, um terreno de 72 alqueires, localizado na saída para Campo Mourão, foi feita na primeira administração do ex-prefeito Said Ferreira, em 1985. Só nove anos depois, em agosto de 1994, quando Ferreira voltou ao poder executivo municipal, tiveram início as obras. O novo aeroporto só foi concluído em agosto de 2000 e entrou em operação há menos de um mês.
Outra obra que depois de concluída ficou anos sem qualquer uso, foi o prédio do que seria o Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), que teve início em novembro de 1995 e foi concluída em outubro de 1997. No entanto, com a falta de interesse do governo federal em abrir novas unidades do Cefet, o empreendimento ficou sem qualquer uso por mais de dois anos. Somente em março do ano passado, a estrutura física foi aproveitada para abrigar o Centro Tecnológico de Maringá, que está funcionando através de uma parceria entre a prefeitura e Universidade Estadual de Maringá (UEM).
Além da falta de compromisso com o projeto original e de prejuízo à população que deixa de ter acesso aos programas para os quais as obras são destinadas, o atraso nas construções de grande porte e com o uso do dinheiro público também causam transtornos aos moradores. Um exemplo deste tipo de aborrecimento na história recente da cidade foi a obra do viaduto no cruzamento da Avenida Colombo com a Guaipó, que teve início em dezembro de 1996 e foi concluída em outubro de 2000. As constantes paralisações da obra geraram inúmeros protestos da população.
A Maternidade de Maringá é outro exemplo da falta de planejamento até mesmo para as obras prioritárias da cidade. Pronta desde abril do ano passado, a maternidade só deve entrar em funcionamento em julho. A obra teve início em 1998 e custou R$ 6 milhões. Seu funcionamento é considerado premente diante da realidade local. Nos últimos anos, por falta de leitos disponíveis do Sistema Único de Saúde (SUS) nos hospitais particulares, Maringá se tornou conhecida como a cidade que ‘‘exporta’’ suas gestantes na hora de ganhar bebês. Neste caso, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) é a ‘‘vilã da história’’, já que a administração municipal justifica que está impedida de contratar novos funcionários sob pena de ultrapassar o limite da folha de pagamento.

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