Obra provoca protesto no Jardim São Jorge
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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2003
Luciano Augusto 
A história de carência dos assentamentos urbanos de Londrina veio à tona mais uma vez ontem. No Jardim São Jorge, na zona norte, moradores estão há anos aguardando a construção de um posto de saúde. Ontem, porém, souberam que terão que esperar um pouco mais. A construção que estavam acreditando ser do posto foi transformada em um núcleo de convivência pela prefeitura.
Os moradores e a própria associação de moradores reclamam que foram surpreendidos pela informação divulgada apenas na manhã de ontem durante uma reunião da comunidade com assistentes sociais do município. ''Todo mundo estava esperando o posto. Não somos contra a mudança, o problema foi que passaram por cima de nós sem dar nenhuma satisfação'', apontou a vice-presidente da associação de moradores, Dirciléia Leonel, 35 anos.
A obra começou há cerca de um mês num terreno localizado ao lado da Escola Municipal Atanázio Leonel, que originalmente deveria abrigar uma creche, prevista no projeto de lei aprovado em abril de 2001 pela Câmara Municipal. Os moradores querem que seja incluída a construção do posto de saúde. Os recursos, segundo o mesmo projeto, deveriam estar previstos no orçamento de 2002.
A comunidade, disse a representante comunitária, entende que o núcleo é importante para o bairro, principalmente porque é direcionado para o atendimento de crianças com idades entre sete e 14 anos. Seria uma excelente oportunidade de ''dar ocupação à molecada''.
Por outro lado, os moradores temem que, com a mudança, a construção do posto de saúde seja adiada por mais alguns anos. ''A gente se sente humilhada. Primeiro, a gente tinha que ir no posto do Conjunto Chefe Newton e agora temos que ir até o posto do Parati, que fica longe e é difícil achar vaga'', afirmou Dirciléia.
Se depender da Secretaria Municipal de Saúde, a comunidade terá que continuar andando até o Jardim Paraíso, cujo posto foi recém construído e seria suficiente para prestar bom atendimento. Segundo a assessoria de imprensa, a secretaria nunca prometeu posto de saúde para o bairro. Também não existe nenhum projeto tramitando neste sentido.
A secretária municipal de Assistência Social, Maria Luíza Rizotti, defende o núcleo de convivência e aponta que a construção de uma unidade no São Jorge foi decidido com base no mapeamento das áreas com menor cobertura de atendimento sócio-educativo na cidade e no número de crianças em situação de risco. ''O bairro é uma área prioritária'', disse Maria Luíza, completando que conversou com as lideranças do bairro no início de janeiro deste ano. Essa unidade fará parte do projeto ''Viva Vida'' e atenderá cerca de 100 crianças.


