Giovani Ferreira
De Curitiba
Uma obra irregular, que já havia sido embargada pela prefeitura, quase causou uma tragédia em Ponta Grossa. As irregularidades na construção podem ter ocasionado o desabamento de um prédio de três pavimentos, ocorrido na noite de anteontem no centro da cidade. O acidente aconteceu por volta das 20 horas, destruindo parte da estrutura do prédio onde funciona a loja Magazine do Povo. No momento do acidente encontrava-se no local o funcionário Alessandro Geraldo Krum, de 25 anos, que teve apenas ferimentos leves.
O prédio pode ter cedido por causa de escavações feitas numa construção que estava sendo erguida ao lado, onde o empresário Bruno Leão pretendia construir um hotel. Apesar de ter sido embargada pelo Departamento de Urbanismo do município, que chegou a multar o proprietário responsável, a obra continuava em execução.
Ontem a Comissão de Defesa Civil do município interditou a obra, o prédio onde funciona a loja e ainda a garagem do Edifício Manoel Braga Ramos, que fica no endereço ao lado do local onde ocorreu o acidente. A garagem do edifício, que possui 11 andares, deve ficar interditada até que sejam reparados os probelmas estruturais ocorridos em sua base de sustentação. As interdições foram necessárias para garantir a segurança dos prédios vizinhos, que tiveram parte de suas fundações expostas com as escavações feitas na obra irregular.
A Comissão de Construção Civil do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Paraná (Crea) também fez uma vistoria no local, com o objetivo de apurar as responsabilidades sobre o desabamento. O laudo do Crea deve sair dentro de 30 dias.
A obra irregular, apesar de estar embargada pela prefeitua, tinha o aval do conselho. Luiz César Moro, coordenador regional do Crea em Ponta Grossa, disse que fiscais do conselho estiveram vistoriando a obra no dia 11 de maio, quando não constataram nenhuma irregularidade do ponto de vista da existência de profissionais e técnicos responsáveis pela construção. Sobre o embargo da prefeitura, Moro explicou que o Crea não havia recebido nenhum comunicado oficial sobre essa interdição.
Assim como fez a Defesa Civil, ontem os fiscais do Crea também vistoriam as edificações vizinhas ao desabemento, com o objetivo de verificar o perigo de novos acidentes. O prédio que desabou fica na Rua Sete de Setembro, entre a Rua Coronel Cláudio e a Avenida Vicente Machado.

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