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Londrina

Cidades

m de leitura Atualizado em 12/04/2022, 15:16

Obra parada gera transtornos para moradores de bairro da zona leste

Trabalhos de infraestrutura que vão possibilitar regularização do jardim São Rafael II deveriam ter sido finalizados no ano passado

PUBLICAÇÃO
terça-feira, 12 de abril de 2022

Pedro Marconi - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

Foto: Pedro Marconi - Grupo Folha
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Pó e barro. Esses são os dois extremos que os moradores do jardim São Rafael II, na zona leste de Londrina, enfrentam em dias de tempo seco e chuvoso. Com as chuvas desta semana o lamaçal tomou conta do lugar e até das casas, dificultando o acesso das pessoas. “Quando chove a gente atola. É ruim ter essa situação na porta de casa. Tem que lavar o calçado para usar no outro dia de novo. Fora o esgoto a céu aberto”, relatou a dona de casa Maura Cardoso, que aos 66 anos tem que andar com cuidado até chegar na residência para não escorregar e cair. 

O bairro, que fica a menos de cinco minutos do centro da cidade e próximo à avenida Theodoro Victorelli, existe há cerca de duas décadas, entretanto, foi oficialmente formalizado em abril do ano passado. Na época, durante cerimônia com representantes da prefeitura, Cohab-LD (Companhia de Habitação de Londrina) e dos moradores, foi anunciada a regularização fundiária dos terrenos de propriedade da companhia, concedendo a escritura registrada em cartório para as mais de 100 famílias que vivem no assentamento irregular. 

Na mesma data, o município liberou o início de diversas obras de infraestrutura no local, com construção de meio-fio, calçada, rede de galeria pluvial e asfalto, implantação de iluminação de LED e arborização. As ruas são de terra. O prazo dos trabalhos era de dez meses, ou seja, venceu no final de 2021. Um ano depois os serviços ainda não foram entregues e as pessoas que vivem na região afirmam que operários da empresa contratada via licitação, e que tem sede em Londrina, não aparecem para trabalhar há cerca de quatro meses. Manilhas estão espalhadas pelos terrenos. 

Manilhas foram deixadas espalhadas pela loteadora Manilhas foram deixadas espalhadas pela loteadora
Manilhas foram deixadas espalhadas pela loteadora |  Foto: Pedro Marconi - Grupo Folha
 

'O CARRO PATINA'

A intervenção pela metade tem gerado transtornos. A terra remexida em vários pontos e até deixada em montes impede a passagem de veículos. “Tem que desviar pelo meio da vila para sair de carro. Quando chove muito penso: será que vou conseguir entrar?”, refletiu a diarista Raquel Oliveira. “O carro patina, tem que pedir ajuda para colocar na garagem”, relatou. O veículo da família tem ficado no vizinho, já que não a frente do imóvel dela virou um atoleiro. 

Para ir à escola, as crianças são carregadas por muitos pais nas costas ou colo até onde existe asfalto para não sujar. “Estivemos com o pessoal da Cohab recentemente e deram o prazo de 15 dias (para retomar a obra). Mas passou esse prazo e até agora nada. Teve uma reunião na igreja (do bairro) esses dias e disseram que estavam com eles algumas peças faltavam, porém, outras ainda não. Estamos abandonados na nossa comunidade”, desabafou a operadora de máquinas pesadas Vanessa Batista Rosa, que está no lugar há 25 anos. 

SERVIÇOS EXTRAS 

Presidente da Companhia de Habitação de Londrina, Luiz Cândido de Oliveira confirmou que o trabalho está parado, no entanto, frisou que de forma temporária. Ele destacou que no transcorrer das melhorias foram identificados alguns problemas envolvendo a rede de água e esgoto que já existia no entorno e seria interligada à nova, até então em construção. “Vimos que a profundidade estava fora das normas e começou a romper a tubulação”, informou. 

Diante do impasse, a companhia pediu para a Sanepar fornecer os materiais necessários para a que loteadora executa o serviço de “baixar” a rede. “Fizemos esse pedido em novembro de 2021. Eles já têm parte destes materiais e estamos no processo de retirada”, explicou, também citando adversidades em razão dos dias de chuva, que impossibilitam a evolução da obra, e furtos. 

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ADITIVO 

Além disso, a Cohab analisa um incremento no edital em razão dos serviços extraordinários que surgiram. O atual valor do contrato é de R$ 1,9 milhão e poderá ser aditivado entre R$ 700 e R$ 900 mil. “Está passando por análise técnica e semana que vem deveremos chamar a empresa para realinhar o andamento da obra”, projetou. Paralelamente, a companhia tem atuado na documentação para regularizar os imóveis. “Pedimos para que as famílias tenham consciência de que vamos concluir e estamos resolvendo os problemas. Em breve vamos celebrar a entrega”, ponderou Oliveira. 

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