Obra para engordar praias pode não resolver
Guilherme Pupo
Apesar dos riscos de impacto ambiental, de ainda não ter uma licença do Ibama e da possibilidade de desperdício de dinheiro (US$ 1,5 milhão), o governo estadual anunciou ontem que irá realizar as obras de dragagem e reposição de areia na praia (engordamento artificial) no litoral do Estado.
As obras devem começar na próxima semana. A dragagem abrangeria 300 mil metros cúbicos de areia (cerca de um metro de profundidade, entre os municípios de Matinhos e Pontal do Sul. Ontem, representantes da Suderhsa (Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental - responsável pela obra), engenheiros, geólogos, técnicos e ambientalistas participaram de uma reunião para discutir o assunto, no Instituto de Engenharia do Paraná (IEP).
Durante o encontro, que reuniu cerca de cem pessoas e durou quase três horas, o governo expôs as justificativas para a obra e recebeu diversos posicionamentos contrários.
Segundo o superintendente da Suderhsa, Nicolau Kluppel, a dragagem deve ser feita devido ao caráter emergencial da obra. Ele garantiu que o governo vai conseguir uma licença do Ibama e se comprometeu a contratar técnicos para fazer o acompanhamento científico da obra. Vamos fazer um plano piloto, para ver se vai dar certo colocar areia na praia, e depois monitorar os efeitos, disse o superintendente.
Há cerca de dois anos, o governo realizou uma obra semelhante, com custo de R$ 700 mil, mas o problema de erosão e avanço da água não foi resolvido.
Para o geólogo Riad Salamuni, a obra é necessária mas deveria haver um estudo mais adequado, como sobre o tamanho dos grãos de areia. Esse dinheiro - US$ 1,5 milhão - vai sair do bolso de alguém e provavelmente vai ser pago pelo povo. Se o trabalho for mal feito, uma ressaca pode levar toda a areia de volta, disse ele.
Representantes de entidades ambientalistas que participaram da reunião devem se encontrar nos próximos dias para definir se irão organizar manifestações ou estratégias para impedir a obra. Eles estão preocupados com os impactos ambientais que a dragagem poderá trazer para a fauna e flora local e com a aplicação de dinheiro em obra inadequada.





