O mestre de obras João Batista de Farias, 43 anos, tem 21 anos de profissão, mas ainda não se acostumou aos perigos da construção civil. ‘‘Só de passar perto de uma obra já é um risco’’, afirma. Farias diz que se morasse ao lado de uma construção, ‘‘não dormiria tranquilo’’.
Como exemplo dos riscos, o mestre de obras cita que uma rajada de vento forte pode ser suficiente para derrubar a laje de uma construção e provocar sérios estragos. ‘‘O próprio pessoal não tem consciência do perigo que está correndo. Qualquer descuido é fatal’’, observa Farias.
O operário Cícero Ribeiro da Cruz, 36 anos, há dois anos na construção civil, confessa que, se puder, fará o que for possível para que os dois filhos, um com 8 anos e outro com 10 anos, procurem uma profissão que não seja a de operário de obra.
‘‘Se puder impedir, não quero isso para eles’’, afirma. Cruz diz que não quer se acostumar com a rotina num canteiro de obras. É uma estratégia. ‘‘A partir do dia em que me acostumar, sei que não vou mais ligar para o risco que se corre numa profissão como essa’’, diz.
Sem querer incorporar o papel de herói ou de trabalhador destemido, o operário diz que recusa serviços arriscados. ‘‘Não faço serviços assim. É a minha vida que está em jogo e não tem dinheiro que pague. Se o cara facilitar, ele já está correndo riscos’’, ressalta. (D.V.)

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