Marcos NegriniÂngelo Bulla e Sete Pedroso, comerciantes da Avenida Colombo: pneus e ação na JustiçaOs comerciantes com estabelecimentos em nove quadras da Avenida Colombo estão organizando um protesto ainda para este mês, contra as obras do Viaduto Guaiapó, paralisadas há dois meses por falta de recursos. Alguns deles vão entrar na Justiça com pedido de indenização, devido aos prejuízos causados pelas obras. A Colombo dá acesso à BR-369 e é a via mais movimentada da cidade. Por ela passam todos os caminhões que chegam e partem para Londrina, Curitiba e São Paulo, além de moradores de Sarandi (7 km de Maringá).
A construção do Viaduto do Guaiapó foi iniciada no dia 12 de maio deste ano e o prazo de conclusão das obras foi estimado para o final deste mês. O custo na época era de R$ 3,7 milhões, com recursos proveniente do Ministério dos Transportes, através do DNER. O secretário de Obras Públicas, Carlos Schwabe, disse à Folha que até terça-feira o DNER deverá liberar a segunda parcela dos recursos - cerca de R$ 500 mil.
A primeira parcela foi de R$ 600 mil. ‘‘As obras estão paralisadas por falta de dinheiro. Com esta segunda parcela vamos colocar os cabos de aço que vão segurar a parede de concreto do viaduto, já pronta, com 14 metros de profundidade’’, afirmou o secretário. Até agora, somente 20% das obras estão concluídos. Com a segunda parcela, 30% ficarão prontos.
Segundo o secretário, se a verba para a construção do viaduto - repassada para o orçamento de 98 e atualmente tramitando no Congresso Nacional - não for cortada pelo pacote fiscal, a obra deverá estar pronta em um ano. ‘‘Se continuar neste pinga-pinga de verbas vai demorar mesmo’’, afirmou Schwabe. A obra já ficou paralisada por 15 dias no início do segundo semestre deste ano por determinação da Justiça. Houve denúncia de superfaturamento na licitação vencida pela Construtora Enteco.
O comércio na região das obras é formado por bares, restaurantes, revendedoras de veículos e de equipamentos eletrônicos e casas de material de construção. O transtorno causado pelas obras, segundo os comerciantes, é responsável por um prejuízo de 60%. O vendedor de material de construção Luís Vieira Cabral, 33 anos, garante que o movimento, que já era ruim, caiu para 60% com a obra do viaduto, ‘‘pois ninguém pode estacionar aqui na frente, onde o movimento de caminhões e ônibus é muito grande’’.
O despachante Sete Pedroso de Almeida, 25 anos, está liderando um movimento de comerciantes que pretende fechar a rua paralela às obras com pneus velhos: ‘‘Vai ser um protesto para mostrar às autoridades que nós não temos nada com essa história de falta de dinheiro. Temos família para sustentar e estamos sendo penalizados’’.
Não é diferente a opinião do proprietário de bar Ângelo Bulla, 65 anos: ‘‘Antes das obras, abríamos a casa às 6h30 e fechávamos às 23 horas. Hoje, só abro às 7 horas e fecho às 18h30. Costumava vender uma média de cinco caixas de cerveja; hoje, não vendo uma. Estou correndo atrás do prejuízo’’.
Seu filho, Claudinei Bulla, já contratou advogados para pedir indenização coletiva à prefeitura sobre os prejuízos causados aos comerciantes: ‘‘Cerca de 30 comerciantes da região estão sendo prejudicados. É um absurdo fazer isso com a gente. Não respeitar prazo de obras é um desrespeito aos cidadãos’’.

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