A Hidrovia Paraná-Paraguai, entre Cáceres (MT) e Nueva Palmira, no Uruguai, está orçada em US$ 120 milhões e é financiada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bid) e o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas. A hidrovia vai rasgar um canal bem mais profundo que o existente nos rios Paraguai e Paraná, para que possam passar os comboios de rebocadores com até 20 barcaças cada, carregando grãos e minérios. Em alguns pontos, será preciso triplicar a profundidade dos rios para evitar encalhamento de embarcações.
No total, serão 3.442 quilômetros navegáveis, o equivalente a uma distância entre São Paulo e Rio Branco, no Acre. Curvas fechadas e sinuosas serão retificadas para que o rio possa ter uma largura média entre 90 e 100 metros. Nesse trabalho, estima-se que serão retirados cerca de 22 milhões de metros cúbicos de sedimentos do rio Paraguai.
A hidrovia deve atender uma população de 40 milhões de pessoas, ligando os cinco países da Bacia do Prata. A integração da Bolívia ao sistema será através do Canal Tamengo, que será conectado ao rio Paraguai.
Interesses Segundo documento elaborado pelos ecologistas, o interesse pela implantação da hidrovia é particularizado. O maior argumento é o fim do isolamento das fronteiras formadas pelo Centro-Oeste brasileiro, leste da Bolívia e norte do Paraguai. Atualmente, a produção agrícola chega aos grandes centros através de caminhões, que cobram entre US$ 70 e US$ 90 a tonelada. Com a hidrovia, o frete seria reduzido para US$ 50,00 à tonelada, quase metade do valor rodoviário.
De acordo com os estudos, o Brasil é o país que menos tem a ganhar com o projeto, já que a produção de soja da região de Cáceres é pequena. Para a Argentina, a hidrovia é importante, pois atinge 75% da população, mas para Bolívia e Paraguai é uma questão de sobrevivência, pois seria a solução para a tão sonhada ligação dos dois países com o mar.

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