Obra inacabada se transforma em mocó
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quarta-feira, 28 de agosto de 2013
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina - Uma obra que deveria ter sido concluída em agosto de 2011, mas que acabou se transformando em mocó preocupa os moradores do Jardim Maria Celina, na zona norte de Londrina. A construção do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) começou em 2010, mas a obra foi abandonada pela empresa que venceu a licitação em junho de 2012. Pais com crianças pequenas são obrigados a recorrer a centros infantis de outros bairros e os vizinhos do imóvel reclamam da falta de segurança, por causa da presença de moradores de rua e consumidores de drogas.
Logo na entrada da obra, localizada na Rua Carmen Batista, é possível ver os primeiros sinais do abandono. Todas as janelas estão com as vidraças estilhaçadas e as paredes estão cheias de rabiscos. Um par de sapatos de criança e outras roupas infantis estão jogados pelos corredores.
A lista de materiais furtados do interior do prédio é grande: pias com cubas de inox, mármore das bancadas, azulejos da parede, telhas, fiação elétrica, vasos sanitários, válvulas de descarga.
O investimento no local seria de R$ 1.594.323,17, entre recurso federal e contrapartida municipal, devidamente registrados em uma placa destruída na frente do prédio. Projetada para oferecer 120 vagas em período integral, a unidade está literalmente jogada às moscas, que circulam pelo lugar atraídas pelo mau cheiro.
Um casal que mora na região e pediu para não ser identificado, contou que é comum as pessoas se abrigarem no local. "A gente não gosta de ficar falando nisso com medo que eles nos agridam, mas a presença de pessoas que usam a creche para consumir drogas é frequente", destacou o morador. A mulher disse que a droga é escondida nos buracos e destroços resultantes do vandalismo. A reportagem encontrou roupas usadas, mantas e cobertas espalhadas em uma das salas e a fuligem nos azulejos e pastilhas indica que algumas pessoas têm acendido fogueira. "O triste é ver que é o dinheiro de nosso imposto que está indo embora", lamentou a moradora.
A dona de casa Edilene da Silva Brandolim disse estar inconformada com o fato de a obra não ter sido concluída. "Eu tenho um filho de cinco anos que precisa estudar em uma creche do Parque Ouro Verde, distante quase 3 quilômetros do CMEI inacabado", reclamou. Ela destacou que a obra inacabada gera insegurança no bairro. A atendente de padaria Katiúscia da Silva também reclamou do problema e ressaltou que seu filho estuda no Conjunto José Giordano, a 2,7 km do local.
Burocrático
A secretária municipal de Educação, Janeth Thomas, disse saber que o local tem sido utilizado como mocó e que tem se empenhado para tentar obter mais recursos para concluir obra. Porém, ressaltou que o trâmite é complicado e burocrático.
O secretário municipal de Defesa Social, Rubens Guimarães, afirmou que não há como a Guarda Municipal realizar a segurança do local, pois seu efetivo é bastante limitado. "Nós temos 180 guardas municipais e, com o concurso, pretendemos aumentar para 380 em dezembro, mas o ideal é que tivéssemos 522 guardas municipais", destacou.
Guimarães ressaltou que a equipe da secretaria de Educação sempre solicita rondas em algumas escolas, mas afirmou que desconhecia a situação do CMEI do Maria Celina.


