Obra federal beneficia concessionária
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de março de 1998
Valmir Denardin 
Ney de SouzaProntoTrecho duplicado da BR-277: presente para a concessionária, que justifica ter assumido outras extensões Ao assumir o trecho de 380 quilômetros da BR-277, entre Guarapuava e Foz do Iguaçu, o consórcio de empresas Rodovia das Cataratas S.A. ganhou um presente do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER): a duplicação de cerca de 20 quilômetros da rodovia, justamente no seu ponto mais crítico e com maior concentração de tráfego.
Em maio, o DNER entregará à concessionária o trecho de 22,6 quilômetros entre Foz do Iguaçu e Santa Terezinha de Itaipu (no Extremo Oeste do Estado). Desse total, 20,1 quilômetros estão duplicados. Faltam cerca de 15% das obras - a duplicação dos 2,5 quilômetros entre a Ponte da Amizade (que liga Brasil e Paraguai) e a avenida Juscelino Kubitschek, e a construção de duas passagens de nível, um viaduto e duas passarelas na área urbana de Foz do Iguaçu.
Para duplicar os 20,1 quilômetros do trecho final da BR-277, o DNER levou cinco anos e gastou R$ 17,8 milhões. Iniciadas em 1993, as obras foram suspensas e retomadas diversas vezes, devido à falta de recursos. Técnicos avaliam que a duplicação poderia ter sido concluída em apenas um ano e meio.
IntegraçãoO projeto do anel viário paranaense: extensão de 2.035 quilômetros para integrar o Estado; em todo o anel 26 praças de pedágios serão instaladas
Segundo o engenheiro-chefe do Escritório Regional do DNER em Foz do Iguaçu, Vicente Veríssimo Júnior, o trecho em obras da rodovia está sendo repassado à concessionária à medida que os trabalhos vão sendo encerrados. Isso está previsto no contrato, afirma.
Na avaliação de Robson Azevedo, diretor de recursos humanos e comunicação social da Rodovia das Cataratas S.A., o fato de receber um trecho da estrada já duplicado não beneficia a empresa. Foram privatizados apenas os serviços. A rodovia continua pública, declarou Azevedo em entrevista à Folha, por telefone, da sede da concessionária, em Cascavel.
Segundo ele, o trecho duplicado é pequeno diante da extensão repassada pelo governo à empresa. Além das obras que o DNER não conseguiu concluir, faltam no trecho duplicado sinalização e implantação de canteiros. Vamos manter e conservar toda a rodovia, que será segura, rápida e confortável.
Azevedo informa que entre dezembro do ano passado - quando assumiu o controle da rodovia - e maio deste ano, a concessionária estará investindo R$ 29 milhões na construção de cinco praças de pedágio e em obras de recapeamento das pistas, recuperação de acostamentos, melhoria na sinalização e limpeza das margens da estrada. Neste mês - pico das obras -, a concessionária está empregando 1.200 trabalhadores temporários, com salário médio de R$ 320,00. A cobrança de pedágio será iniciada em maio. De acordo com o diretor da concessionária, no segundo semestre será iniciada a duplicação do trecho entre Santa Terezinha de Itaipu e Cascavel. O prazo contratual de conclusão desse trecho é de sete anos. No trecho entre Guarapuava e Três Pinheiros, a duplicação poderá levar até 14 anos. Para o trecho entre Três Pinheiros e Cascavel, a concessão prevê apenas a construção de terceira faixa, contornos e melhorias nas pistas.


