Uma galeria subterrânea, que deveria trazer alívio, está tirando o sono dos moradores do Patrimônio Heimtal (Zona Norte de Londrina). Com o embargo da obra por parte do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), a tubulação que deveria servir para o escoamento da água da chuva passou a ser local de diversão para as crianças, que ignoram os riscos e se embrenham pelos tubos.
A galeria estava sendo construída com as obras de pavimentação asfáltica. Porém, a descoberta de uma nascente no trecho final, localizado em um fundo de vale nas proximidades da Rua Ângelo Miotto, fez com que o IAP determinasse a interrupção dos trabalhos. Agora, para concluir a obra, a Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) precisa apresentar um plano de controle ambiental para a área.
O proprietário do sítio onde está localizada a nascente, Aparecido Céu, 62 anos, reclamou que a empreiteira destruiu parte do alambrado que cercava a propriedade e agora ele não tem mais controle de quem entra e sai na propriedade. Sem cerca, ele está tendo que manter cavalos e vacas amarrados para evitar que escapem. Mas sua maior preocupação é com as crianças que brincam nos tubos. Eles formam um labirinto subterrâneo bastante perigoso. ''Acho que estão esperando morrer alguém para depois fazerem alguma coisa'', denunciou.
Na superfície, os problemas também não são menos graves. A dona-de-casa Rosemeire Ribeiro, 33 anos, mora na esquina das ruas Ângelo Miotto e Érico Bhremer e diz que, por causa da galeria inacabada, a enxurrada em dias de chuva transforma o trecho em um verdadeiro rio. ''A galeria já está pronta mais ainda não foi ligada à rede. Quando chove, a água que vem dos bairros de cima desemboca tudo na minha rua'', afirmou. Na mesma via, o mato encobriu a abertura da tubulação e representa um risco extra para os mais desavisados, principalmente à noite.
Para conter a erosão, Rosemeire precisou desembolsar R$ 150 para um trator reparar os buracos. O cascalho, segundo ela, foi doado por outro morador do bairro. Sua preocupação é que, dependendo do resultado das próximas eleições para prefeito, a obra seja interrompida se não for concluída nos próximos meses. ''O que não queremos é que fique como está'', avisou.
O secretário municipal de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas, confirmou que a obra de drenagem da água da chuva foi interrompida por causa do embargo do IAP mas garantiu que o problema já estaria sendo sanado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema). O plano com as exigências ambientais, segundo o secretário, deverá ser concluído nos próximos dias. A reportagem contatou a Sema no final da tarde mas os técnicos já haviam encerrado o expediente.
Quanto ao asfalto, Freitas afirmou que a primeira etapa de pavimentação, que custou mais de R$ 710 mil, já foi concluída. Moradores das ruas que ainda não foram asfaltadas terão que esperar a próxima licitação, que deve ser feita somente no que vem.

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