Obra em shopping irrita moradores
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quinta-feira, 14 de agosto de 2003
Gilmar Agassi<br>Reportagem Local 
Os moradores dos edifícios Manela, Albamar e Camboriú, localizados na Rua Maranhão, na área central de Londrina, estão preparando um abaixo-assinado a ser entregue à prefeitura e ao Ministério Público solicitando a interrupção das obras no Shopping Royal Plaza, durante a madrugada. Os moradores alegam que não conseguem dormir por causa do barulho das obras, que acontecem entre às 22 horas e 7 horas. A direção do shopping afirma que as obras não podem ser realizadas durante o dia para não prejudicar o movimento no local.
O síndico do edifício Manela, Eliede Gomes, disse que mora há 43 anos no local e que desde que o shopping foi construído, os problemas se sucedem. Ele frisou que moradores dos três prédios já tentaram conversar com a direção do shopping, solicitando medidas que reduzam o barulho, mas que nada teria sido feito. ''O direito do outro acaba quando começa o meu. Tentamos conversar, mas agora só nos resta buscar Justiça'', afirmou.
Gomes ressaltou que, na madrugada de ontem, o barulho estava insuportável, por isso os moradores solicitaram a presença da Polícia Civil. Depois de conversar com os operários, os policiais os convenceram a diminuir os ruídos. ''Tem dias que a situação é ainda pior. A betoneira fica ligada à noite toda e ninguém dorme'', reclamou.
O joalheiro Cirilo Landi, morador do mesmo prédio, comentou que o barulho atinge o auge quando os operários descarregam carriolas de entulhos nas duas caçambas instaladas em frente aos edifícios. Ele comentou que já foi feito um pedido à direção do empreendimento para que as caçambas fossem colocadas na Rua Mato Grosso, onde não existem residências.
A lojista Maeve Cristina Mendonça, que mora no 1º andar, contou que precisou passar a noite passada no corredor, pois seu quarto fica bem próximo de onde foram colocadas as caçambas. Segundo ela, nos últimos dias, tem precisado do auxílio de remédios para conseguir dormir. ''Eles jogam o entulho na caçamba e as latas na calçada para aumentar o barulho'', observou.
O promotor de defesa do Meio Ambiente, Cláudio Esteves, explicou que, após ser notificado, poderá verificar se está havendo violação do Código de Posturas do Município ou das normas de sossego público. Se constatada alguma irregularidade, a direção do shopping será convocada a prestar esclarecimentos. O promotor poderá, também, ingressar com uma ação solicitando a interrupção das obras.
O gerente comercial do shopping, Osmani Vienna, alegou que as obras não podem ser realizadas durante o dia, por causa da poeira e do barulho que prejudicariam lojistas e clientes. Ele garantiu que a obra está terminando e que a empresa contratada para sua execução avalia a possibilidade de mudar as caçambas para a outra rua. ''Nosso objetivo não é incomodar os vizinhos, mas melhorar o shopping'', disse.


