Obra é retomada depois de quatro anos
Conjunto com 21 casas inacabadas chegou a ter unidades invadidas; Cohapar vai selecionar famílias e liberar recursos
Sid Sauer

Simone Giroto
MoradoraDona de casa Tereza Batista, que mora no local há 2 anos junto com um primo e cinco crianças. ‘‘Não tinha onde morar e vim para cᒒ A Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) deve liberar até o final do mês a primeira parcela de recursos para que as 21 famílias que invadiram um conjunto habitacional inacabado em Roncador (100 km ao sul de Campo Mourão) possam terminar as obras.
As unidades são do antigo programa Casa da Família e foram paralisadas porque, na época, a prefeitura de Roncador não cumpriu o cronograma das obras e a Cohapar suspendeu o repasse das parcelas.
As casas, de 52 metros quadrados, estão quase prontas, faltando apenas piso, vidros e instalações hidráulicas e elétricas. A Cohapar vai liberar R$ 1.750,00 para cada mutuário terminar as obras.
Desta vez, porém, o dinheiro será entregue diretamente aos mutuários, sem a intermediação da prefeitura. Antes, a companhia definirá quem serão os moradores do conjunto através de um levantamento sócio-econômico.
‘‘Vamos procurar favorecer quem já está morando nas casas’’, explica o gerente do escritório regional da Cohapar, Sebastião Mauro. Todas as 21 casas do conjunto estão invadidas. A dona de casa Tereza Batista, por exemplo, já está morando no local há 2 anos junto com um primo e cinco crianças.
‘‘Não tinha onde morar e vim para cᒒ, conta. Ela não se assusta com a idéia de ter que pagar prestações quando a casa ficar pronta. ‘‘Vamos pagar o que é da gente’’, diz.
Depois de prontas, as casas deverão ter prestação mensal em torno de R$ 35,00. ‘‘Pelo menos vou pagar por algo que presta’’, diz outra dona de casa, Silvéria Machado, que mora com o marido e dois filhos numa das unidades invadidas há 2 anos.
Já a bóia-fria Rosa Farias Fernandes está preocupada. ‘‘Não vou ter condições de pagar’’, diz. Ela cuida sozinha de três filhos menores que estão estudando. ‘‘Nem sempre aparece serviço na lavoura’’, conta.
Rosa ocupou uma das casas do conjunto há quase dois anos, mas desde a semana passada ela mora em um barraco de lona montado nos fundos da casa inacabada. ‘‘Saí para que a casa possa ser terminada’’, diz. Vários outros invasores fizeram a mesma coisa.
Eles não saem da área porque não têm para onde ir e temem perder as casas que invadiram. A Cohapar admite que nem todos os invasores podem ser beneficiados. Tudo depende do levantamento que está sendo feito.

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