Há mais de 20 anos a comunidade organizada de Londrina briga pela construção de uma Cadeia Pública capaz de receber e manter os infratores presos pelas polícias Civil e Militar. O prédio do ‘‘Cadeião’’, como era chamada a Cadeia Pública de Londrina, não comportava mais a demanda e funcionava cada vez mais superlotado.
O Cadeião foi construído em 1949 para abrigar temporariamente 60 presos até o julgamento. Mas acabou se transformando em alternativa para a superlotação das penitenciárias do Estado, recebendo presos já julgados de toda a região. A situação chegou a tal ponto que, em 92, o prédio abrigava sempre entre 200 e 300 presos.
A estrutura física imprópria para funcionar como prisão de segurança máxima, foi aos poucos destruída pelas sucessivas tentativas e fugas bem sucedidas. Na época, as autoridades acreditavam que a construção de uma penitenciária em Londrina solucionaria o problema. Não contavam com a possibilidade de a cadeia não ser reformada e permanecer desativada. Foi o que aconteceu.
Com o prédio do Cadeião inviabilizado e ameaçando desabar, e depois de muita pressão do Conselho de Segurança, o governo construiu, em 92, a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), no Jardim Del Rey (zona sul). Na mesma época, o governo estadual assumiu o compromisso de começar a construção da cadeia pública seis meses depois da entrega da PEL.
Os presos já julgados foram transferidos para a penitenciária em 94, e os demais foram colocados em quatro distritos policiais da cidade, aguardando a reforma da cadeia. A indefinição sobre o destino do prédio do Cadeião levou a novas propostas e debates de alternativas.
Os motins, tentativas e fugas continuaram, desta vez, espalhados pelos quatro cantos da cidade, nos distritos policiais, que repetiam a mesma situação de precariedade do Cadeião. Até junho deste ano, já tinham ocorrido 12 tentativas de fuga - oito delas graves, com rebelião. Nas celas dos distritos policiais que comportam no total 104 presos, se amontoavam mais de 300 detentos.
Quatro anos depois a Prisão Provisória foi inaugurada. Em junho de 97 foi assinado o edital de licitação e a empresa vencedora começou as obras em outubro. O cronograma das obras prometia a entrega da prisão até começo de abril de 98, mas só foi inaugurada em dois de julho, antes de estar pronta para começar a funcionar. A nomeação dos 24 agentes penitenciários que vão trabalhar na unidade foi feita no começo deste mês. Três desistiram do trabalho. A transferência dos presos dos distritos está acontecendo gradativamente.
Projetada para receber os presos já julgados de Londrina até abertura de vaga na PEL, ela está sendo utilizada como cadeia. Sua capacidade é para 144 presos, mas deverá receber 180 presos dos distritos da cidade. A utilização é provisória. Ela vai funcionar como cadeia para reduzir a superlotação nos distritos policiais até que a Cadeia Pública fique pronta. As obras já começaram e a sua entrega está prevista para o segundo semestre de 99. A cadeia vai comportar 300 presos.

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