Uma obra sob a responsabilidade do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) - órgão responsável pelas áreas de proteção ambiental no País - está provocando a derrubada de árvores e arbustos no Parque Nacional do Iguaçu, localizado entre as regiões Oeste e Sudoeste do Paraná.
O desmatamento foi confirmado ontem pela Folha. O superintendente do Ibama no Paraná, Jonel Iurk, disse que não tinha conhecimento da irregularidade. Segundo ele, a obra - a construção de uma cerca na divisa da reserva com propriedades rurais na região Oeste - é de responsabilidade da administração do Parque do Iguaçu. O diretor substituto da unidade de conservação, Paulo César Pirajá, não foi localizado até às 18h30 de ontem.
Iurk disse que a cerca está sendo erguida por uma empresa de Foz do Iguaçu contratada pelo Ibama, da qual ele não soube informar o nome. ‘‘Se realmente confirmarmos que está acontecendo uma irregularidade, a empresa será notificada e autuada’’, declarou o superintendente.
Para construir a cerca, que vai substituir outra erguida há mais de dez anos, foi aberta uma espécie de ‘‘aceiro’’ na extremidade da mata, com aproximadamente cinco metros de largura e que já atinge 15 quilômetros de comprimento. Foram derrubadas com motosseras árvores de médio e até grande porte, cujos troncos atingem até 45 cm de diâmetro. Em um trecho de quase dez quilômetros, a cerca - com mourões de concreto e quatro fios de arame liso - já está pronta.
Segundo o produtor rural Valdir Mazurana, que tem uma propriedade de 15 alqueires no limite com o parque, em Serranópolis do Iguaçu (a cerca de 70 quilômetros a leste de Foz do Iguaçu), além de derrubar árvores da reserva, a construção da cerca está ‘‘invadindo’’ propriedades da região. ‘‘No meu sítio, eles invadiram uma faixa de oito a dez metros, mas, em outras propriedades, chegaram a ocupar uma faixa acima de 30 metros’’, disse Mazurana.
Mazurana afirmou ‘‘não compreender’’ a posição do Ibama. ‘‘Se a gente derruba uma arvorezinha pode ser preso. Mas eles podem usar até motossera’’, reclamou o agricultor, que mora no local há 17 anos.
A Folha procurou, por telefone, o diretor substituto do Parque do Iguaçu, Paulo César Pirajá, entre as 17h10 e as 18h30 de ontem. Segundo funcionários do setor de administração, ele havia ido ao velório de um empregado do parque e só poderia ser encontrado a partir das 9 horas de hoje. O diretor da unidade de conservação, Júlio Gonchorosky, está em viagem aos Estados Unidos, onde participa de um curso.

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