Obra devolverá autenticidade de Artigas
Projeto de Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi originalmente para a Casa da Criança, o prédio da Secretaria Municipal de Cultura, na Rua Maestro Egídio Amaral, foi inaugurado em 14 de agosto de 1955, o mais tardio num espaço que se avizinha a outros. São anteriores à central da então Companhia Telefônica Paranaense (31.7.47), o Centro de Saúde (20.3.49) e o Grêmio Literário e Recreativo (1952), todos na Alameda Manoel Ribas. Na Avenida Rio de Janeiro, inaugurou-se o edifício do Fórum em 24 de setembro de 1950, mais tarde ampliado e cedido à Biblioteca Municipal.
Com o projeto e a construção patrocinados pela Associação de Amigos de Londrina (SAL) e a participação do Município, a Casa da Criança se caracterizou pela excelência, sendo uma creche com assistência médica, administrada pela Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (Apmi), que mais tarde descentralizou o atendimento para as vilas. Desativada em 1969, o prédio foi cedido primeiramente à Biblioteca Municipal.
E teve início a descaracterização. ''O antigo solarium, antes aberto, foi coberto por telhas de fibrocimento, que ficam horrivelmente visíveis do lado externo'', apontou a arquiteta Juliana Suzuki, historiadora dos projetos de Artigas e Cascaldi em Londrina. ''A pior das intervenções'', até porque não houve a participação de profissionais ligados à preservação do patrimônio histórico, segundo Juliana, ''foi a adição de um pavimento sobre o antigo auditório, prejudicando a composição volumétrica do projeto original.''
Mas a restauração está a caminho, apesar de interrompida, e se fará ''principalmente pela recuperação da volumetria, que foi tirada, recomposição do terraço e também da transparência no térreo'', disse a arquiteta Jussara Valentim, da Arquibrasil, de Curitiba, empresa responsável pelo projeto, sem participação na execução da obra.
A diretora de Patrimônio Artístico e Histórico-Cultural da Secretaria,
Vanda de Moraes, observa que haverá ''a restituição de alguns espaços, tais como solário e o jardim atrás do prédio; por outro lado, os anexos posteriormente instalados, todos, já foram retirados, inclusive o andar a mais''. Será reconstituído um auditório para 50 pessoas, previsto no projeto original de Artigas; e na entrada, o prédio terá rampa e elevador.
Quando ao painel de azulejos, mostrando a cidade em duas fases, ''embora prejudique a leitura do prédio'', deverá permanecer, considerando-se que é um patrimônio também e a retirada implicaria o risco de danificá-lo, justifica Vanda. (W.S.)





