Reconhecida como obra estratégica para a consolidação de um novo corredor de cargas, a Ponte Ayrton Senna, sobre o Rio Paraná, na divisa entre Paraná e Mato Grosso do Sul, foi inaugurada 12 anos após o início da construção.
Esbarrando na falta de recursos do governo federal, os trabalhos permaneceram em ritmo lento durante cinco anos - entre 1985 e 1990 - até parar definitivamente na era Fernando Collor. O monumental conjunto de pilastras abandonadas foi símbolo de um País que não conseguia concluir suas grandes obras.
Os três pontos de embarque e desembarque da balsa - em Guaíra (PR), Mundo Novo (MS) e Salto del Guairá (Paraguai) - eram, na época, os locais preferidos para lamentar a demora e o alto custo da travessia do Paraná, o rio que distanciava as comunidades, tão próximas e tão isoladas.
Pressionadas pela população, as lideranças da região reivindicaram durante anos a conclusão da obra. A ‘‘novela’’ prometia um final feliz quando o governo do Paraná assumiu o compromisso de investir cerca de R$ 30 milhões para entregar a nova ponte até janeiro de 1996.
Porém, o cronograma não foi cumprido, decorrência de desentendimentos entre a empreiteira e o governo Lerner. Retomadas em março de 1996, a obra ainda enfrentou pequenos problemas com a Marinha, que fez várias exigências para preservar a navegabilidade do rio. Os 3.598 metros de extensão e 18,8 metros de largura do gigante de aço e concreto ficou pronto, finalmente, em 24 de janeiro do ano passado.
Transportadoras e caminhoneiros foram os principais beneficiados com a construção da ponte. Em média, cerca de 1,2 mil veículos pesados passam diariamente. A tarifa do pedágio é de R$ 10,00 para caminhões - para motocicletas a taxa é de R$ 1,00, automóveis, R$ 3,00 e ônibus R$ 7,00. Com as balsas, os caminhoneiros gastavam R$ 50,00. (L.F.M.)

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