A casa do gerente de padaria Djalma Tarcísio de Andrade Sampaio, de 28 anos, está cedendo, várias rachaduras apareceram nas paredes de praticamente todos os cômodos da casa e o piso quebrou. ‘‘A Sanepar é responsável pela insegurança que minha família vive hoje. Não tenho recursos para a reforma e não posso sair do imóvel. Para onde vou?’, questiona.
Segundo ele, a Sanepar, que inicialmente teria admitido que o problema tinha sido provocado por ela, voltou atrás e o orientou a procurar ‘‘seus direitos’’ na Justiça. Sampaio mora no Vivi Xavier (zona norte de Londrina).
Ele conta que o problema começou em novembro do ano passado quando a Sanepar, através de uma empresa contratada, realizava a rede de esgoto no bairro. ‘‘Durante os trabalhos, um cano estourou e, para consertá-lo, a empresa abriu um buraco na calçada em frente a minha casa’’, diz. Ele explica que o buraco ficou aberto durante três dias. ‘‘Como choveu muito, a água infiltrou no meu terreno e acabou danificando tudo. Até o muro desabou’’, complementa.
Sampaio afirma que procurou a Sanepar e foi atendido por um engenheiro chamado Leonel. ‘‘Ele vistoriou a casa e admitiu que ela estava cedendo devido à infiltração da obra. Disse até que a empresa iria viabilizar a reforma.’ O gerente disse ter ficado surpreso quando, cerca de uma semana depois, o mesmo Leonel teria dito a ele que procurasse a Justiça.
O gerente afirma que consultou a Procuradoria de Defesa do Consumidor (Procon) e foi orientado a contratar um engenheiro para elaborar laudo comprovando que as obras provocaram as rachaduras. ‘‘É absurdo a empresa se omitir deste jeito. É a única casa que tenho e estou preocupado com a minha família’’, lamenta. Sampaio informa que irá protocolar uma reclamação junto à Sanepar. ‘‘Até agora tudo foi apenas verbal porque parecia que não haveria conflito’’, justifica.
A cunhada de Djalma Tarcisio, Renata Quintana Rodrigues, diz que a situação lhe deixa insegura. ‘‘Fico em casa com três crianças durante o dia e tenho medo que aconteça alguma coisa.’
A Sanepar não quis se posicionar, alegando que a responsabilidade pela obra é da Protenge Engenharia de Projetos e Obras Ltda.. Dante Guazzi, diretor-presidente da empresa, afirma que nunca se negou a atender Sampaio. ‘‘Desde o começo garantimos que assumiríamos o conserto, desde que ficasse comprovado que a obra era responsável pelos danos’’, frisa.
Segundo Guazzi, os técnicos da Sanepar estiveram no local e concluíram que o muro tinha desabado por causa da obra, mas constataram que as rachaduras na casa eram antigas. ‘‘O muro foi prontamente refeito’’, diz. Para a Protenge, Sampaio tem todo o direito de não concordar com a avaliação da Sanepar, mas sem um laudo que comprove a responsabilidade da obra, é impossível tomar qualquer medida.

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