Apesar da aprovação dos alunos, às vezes o MEC entra em polêmicas. Foi o que aconteceu recentemente com uma coleção de história com idéias socialistas. Durante anos a coleção foi recomendada pelo MEC e este ano, depois de várias críticas, inclusive na imprensa nacional, os livros foram excluídos da relação dos exemplares que serão distribuídos nas escolas no ano que vem.
Mais de 20 milhões de crianças já estudaram com a coleção Nova História Crítica, de Mario Schmidt. Elas aprenderam que Mao Tsé-tung foi um ''grande estadista'' e que a burguesia busca o lucro pessoal. O livro fazia parte do guia de obras recomendadas desde 1998.
A avaliação das centenas de livros que se candidatam a integrar o guia do PNLD foi descentralizada depois dos primeiros anos do programa, quando professores iam a Brasília para analisar as obras, conta o ex-ministro de Educação Paulo Renato Souza. Hoje, uma universidade federal fica responsável por avaliar cada disciplina. A própria instituição chama para o trabalho doutores, professores da rede pública e especialistas de vários Estados. Nenhum deles pode ter ligação com editoras.
Dois professores opinam sobre cada coleção, sem saber quem é o colega que faz o mesmo e, principalmente, sem ter idéia de que livro está avaliando. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) cuida para que as coleções sejam enviadas a eles sem capa ou identificação do autor.
Como são sempre grupos diferentes que analisam as obras a cada ano, uns acabaram liberando e outro, rejeitando a Nova História Crítica. ''Deveria ser montada uma comissão do MEC para uma olhada geral nos livros aprovados, porque tem muito professor que faz bobagem'', diz Paulo Renato. ''Esse programa conseguiu colocar livros de qualidade nas escolas. Esse fato não pode deixar a imagem de que o PNLD é ruim'', rebate o presidente da Associação Nacional do Livro Didático, João Arinos.

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