Os mais de 1,3 mil alunos de ensino fundamental e médio do Colégio Estadual Professora Ubedulha de Oliveira, no Conjunto Luiz de Sá (Zona Norte de Londrina), estão enfrentando o forte sol dos últimos dias de verão para fazer aulas de educação física, enquanto as obras da quadra coberta estão paradas desde o mês de dezembro. Os motivos do atraso, segundo a construtora responsável, foram as chuvas e uma mudança no projeto original.
  ‘‘As telhas de aço galvanizado já estavam compradas mas tivemos que devolver para a fábrica, em Santa Catarina, porque o projeto inicial previa cobertura branca e posteriormente o governo do Estado resolveu adotar a cor azul e colocar a sua logomarca’’, explica o engenheiro Fábio Simões Prado, da Linear Construções Civis, empresa que venceu a licitação. Segundo ele, as telhas com a nova cor devem ser entregues até o final deste mês e a obra terá que ser concluída até 15 de abril, data limite do contrato, que foi prorrogado por 60 dias.
  A demora na conclusão, porém, não é a única queixa de alunos e membros da Associação de Pais, Mestres e Funcionários (APMF). ‘‘Até onde sabemos, o projeto não prevê iluminação elétrica para a quadra. Isso aqui à noite é uma escuridão só, dá até medo. Se ficar assim, os alunos da noite não vão poder usar’’, diz a integrante da associação, Celi Aparecida de Lima, que mora nos fundos da escola, a poucos metros da nova construção.
  Ela lembra que a escola reivindica a construção de uma quadra coberta há vários anos. ‘‘Fico preocupada com minha filha. Já teve casos de alunos que desmaiaram de tanto ficar no sol, em época de gincana, e tem professor com problemas de pele. Tem pais que pedem para os filhos não fazerem aula de educação física’’, argumenta Celi.
  O engenheiro responsável pela obra confirma que a quadra não terá luz. ‘‘O governo adotou um modelo padrão para todas as escolas, tanto para as quadras que estão sendo construídas como para as que estão apenas sendo cobertas.’’ Segundo Prado, os projetos prevêem o uso de telhas translúcidas, que permitem a entrada da claridade do sol e dispensam o uso de lâmpadas durante o dia.
  A quadra do Colégio Ubedulha tem 693,20 metros quadrados e está orçada em R$ 163 mil. De acordo com cálculos da APMF, seriam necessários mais R$ 15 mil para a instalação elétrica, uma quantia que a escola não dispõe.
  A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano (Sedu) informou, através da assessoria de imprensa, que nenhuma das 180 quadras já construídas ou em construção no Estado possuem iluminação, o que não impede que as escolas providenciem a instalação elétrica.
  A Sedu informou ainda que no caso do Ubedulha, as telhas tiveram que ser trocadas por estar fora das especificações. Quanto à logomarca do governo, já estaria prevista no projeto original.

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