Maurício Borges
Enviado a Mauá da Serra
A direção da Rodonorte – Concessionária de Rodovias Integradas S/A, confirmou que a duplicação do trecho mais perigoso da BR-376 (Rodovia do Café) ficará pronta até 2002. São 105 quilômetros compreendidos entre os municípios de Apucarana e Ortigueira, incluindo os sinuosos 50 quilômetros da Serra do Cadeado, um dos pontos negros das rodovias do Estado.
A primeira fase da obra, que prevê serviços de terraplanagem no início do trecho de serra, no sentino norte-sul do Estado, foram iniciadas há duas semanas pela empreiteira contratada pela Rodonorte. Outros trechos já estão sendo licitados pela concessionária, como explica a assessora de comunicação Simone Suzin.
Acompanhando o desenvolvimento das obras numa faixa paralela à rodovia, próximo do Posto da Polícia rodoviária em Mauá da Serra, alguns usuários ouvidos pela Folha mostram-se surpresos e céticos. Eles aprovam, mas não acreditam que a duplicação sairá. O representante comercial Ricardo Lima Schalinski, diz que irá se comportar como São Tomé. ‘‘Só acredito vendo’’.
O canteiro de obras é o mesmo onde há quase dois anos, ostentando um capacete de operário na cabeça, o então candidato à reeleição, Jaime Lerner, posava para fotógrafos e cinegrafistas, pilotando uma gigantesca máquina rodoviária. Na época, a obra durou apenas 20 dias, suficientes para a execução de terraplanagem numa extensão de 300 metros.
Agora, coincidentemente, a obra está sendo retomada num período pré-eleitoral, e a insistente propaganda política de dois anos atrás, seguida da paralisação da obra, deixa a maioria dos motoristas desconfiados. ‘‘Será que agora vai’’, pergunta o caminhoneiro Vasconcelos de Almeida, 47 anos. Ele defende a necessidade da duplicação. ‘‘Já vi muitos acidentes graves neste trecho’’, argumenta.
Através de sua assessoria de comunicação, a Rodonorte contesta a versão de que o lançamento da obra, em 1998, teve cunho eleitoral. ‘‘A obra foi paralisada, na época, ao mesmo tempo em que foi determinada a redução da tarifa de pedágio em 50%’’, lembra Simone Suzin, acrescentando que isso estava em desacordo com o contrato firmado na privatização das rodovias.
Conforme argumenta a direção da Rodonorte, o Estado firmou o contrato de concessão porque não dispõe de capacidade financeira para manter e muito menos para duplicar a rodovia. ‘‘O Estado decidiu repassar o trabalho de manutenção e modernização da rodovia à iniciativa privada, que cobra a tarifa para depois executar as obras previstas no contrato’’, explicou a assessora.Concessionária garante que a obra estará concluída em dois anos, mas usuários temem novas paralisações
Odair StraliottTRECHO PERIGOSOPrimeira fase das obras de duplicação abrange os 50 quilômetros da Serra do Cadeado; ao lado, o governador Jaime Lerner durante o lançamento das obras de duplicação em 98, paralisadas dois meses depois

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