Obra de ciclovia é paralisada
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segunda-feira, 04 de junho de 2018
Pedro Marconi<br>Reportagem Local 

Prometida para oferecer um trajeto seguro para uma demanda reprimida de ciclistas em uma região movimentada de Londrina, a ciclofaixa na avenida Dez de Dezembro (zona leste) está com a construção paralisada há mais de 20 dias. O serviço começou na primeira semana de maio, mas foi interrompido poucos dias depois. A intervenção é uma contrapartida de impacto de vizinhança de uma universidade particular que se instalou nessa região.
A ação foi definida em termo de compromisso firmado pela instituição junto ao município. Ela integra o projeto da rede cicloviária desenvolvido pelo Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina) e a fiscalização é de responsabilidade da secretaria municipal de Obras e Pavimentação. A previsão era que a obra fosse concluída até 1 de junho, mas foram feitos apenas a escavação, madeiramento e jogado pedras para calçamento.
Segundo o secretário de Obras, João Verçosa, mesmo que a pasta seja incumbida de acompanhar o serviço, não existe previsão legal de cobrar a empreiteira caso a
construção de uma contrapartida seja interrompida. "Existe um compromisso para execução entre a universidade e a empresa contratada, que é terceirizada. A prefeitura dá o alvará e faz o acompanhamento, mas não tem controle do cronograma e não pode obrigar a empresa a cumprir. É quem contratou que precisa cobrar o andamento da obra", explicou.
Verçosa apontou que a secretaria só pode notificar a instituição que está dando a contrapartida em duas situações. "Podemos advertir somente se a obra estiver causando transtornos à população ou se algum bem público foi danificado. Quando isso acontece existe a primeira notificação, tem o prazo para manifestação e não tendo resposta é aplicada a multa", exemplificou. Segundo o projeto, a ciclovia vai da entrada do Terminal Rodoviário até a avenida Santa Mônica, com extensão de 680 metros.
INSATISFAÇÃO
Um dos trabalhadores que participava da construção da ciclovia, o encarregado de obra Aguinaldo Silva Santos relatou que a empreiteira que contratou ele e outras oito pessoas não pagou os salários. Eles cobram que a Unicesumar faça o embolso dos meses em atraso e o acerto. "Não fui eu quem contratei a empreiteira, mas a universidade. Se não nos pagam é responsabilidade deles também. Fomos contratados para trabalhar para a instituição. Ficávamos durante o dia no campus e a noite íamos fazer a ciclofaixa. Quando tomamos ciência que não iam nos pagar abandonamos, no dia 11 de maio."
A reclamação é que a empreiteira deixou a cidade e que apenas o trabalho referente ao mês de março foi pago pela instituição de ensino. "Não deram baixa na nossa carteira de trabalho e não estamos conseguindo emprego em lugar nenhum por conta disso. Estamos passando necessidades", indignou-se o carpinteiro Ricardo Gonçalves de Oliveira.
Cinco trabalhadores contratados pela empreiteira fizeram um protesto em frente à instituição na segunda-feira (4). Eles acionaram o sindicato da categoria para tentar reverter a situação. "Além disso trabalhamos na obra da ciclovia sem equipamentos de segurança, sem vale-transporte, sem receber adicional noturno e em feriados", afirmou Silva.
OUTRO LADO
Por meio da assessoria de imprensa, a Unicesumar justificou a paralisação da obra em razão do fim do contrato com a empreiteira e da greve dos caminhoneiros. A instituição ressaltou que uma nova empresa está sendo acordada e que a construção deverá ser reiniciada até o fim desta semana. Não foi informada a data para entrega da via exclusiva para ciclistas.
Sobre a reclamação dos trabalhadores, a universidade garantiu que realizou todos os pagamentos previstos diretamente para a construtora e que, se existem pendências, elas devem ser resolvidas diretamente com a empreiteira. Também destacou que fez uma reunião com o grupo na sexta-feira (1º) e que explicou este cenário. A reportagem não conseguiu localizar o representante da empresa, que seria de Londrina.


