Obra de 10 andares pode ser embargada a pedido do Crea
Gelson Luís Corazza
De Francisco Beltrão
Especial para a Folha
O Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Paraná (Crea) solicitou à Promotoria Pública de Pato Branco, sudoeste do Estado, o embargo da obra de um edifício de 10 andares que está sendo construído no centro da cidade. Segundo o Crea, a obra está em situação irregular e não tem, entre outras coisas, acompanhamento técnico.
O coordenador regional do Crea em Pato Branco, Gilmar Ritter, disse que a instituição fez a primeira vistoria em janeiro de 1999. Na época, a construção tinha apenas quatro andares. Na oportunidade, o órgão notificou o proprietário para regularizar a situação.
O dono do imóvel, o médico José Alfredo Wittmann, tentou regularizar a construção, mas o processo acabou sendo indeferido pelo Crea. Segundo Ritter, trata-se de uma obra de grande porte e, por não ter responsável técnico, pode haver algum problema. Cabe então ao órgão comunicar a Justiça para que tome as providências cabíveis.
O caso agora está nas mãos do promotor público Javert Prado Martins Filho, que espera conseguir uma liminar para a paralisação imediata da construção. Além de não ter o acompanhamento de um responsável técnico, a obra não tem projeto hidrossanitário, telefônico e elétrico, afirma o promotor. Trata-se na verdade de uma obra clandestina.
Javert disse que aguarda para esta semana a liminar que paralisa a construção e que, posteriormente, irá pedir a demolição do edifício. Uma obra desta envergadura sem responsável técnico, causa preocupação. Indiferentes à polêmica, os operários trabalhavam normalmente ontem no edifício. Está havendo perseguição, acusou o mestre-de-obras José Cardoso de Oliveira.
Fazendo questão de mostrar os projetos do edifício, ele admitiu que pode ter ocorrido algum problema em razão da mudança no projeto, que foi originalmente concebido para um edifício com salas comerciais e que agora deve abrigar um hotel. Será que alguém iria investir R$ 2 milhões numa obra irregular, questionou o mestre-de-obras.
Contatado pela Folha, o proprietário do imóvel pediu para que fosse ouvido o dono da Construtora Brusmil, Pedro de Oliveira. Ele garantiu que a construção do edifício tem o acompanhamento do engenheiro civil Amadeu Francisco Reolon, registrado no Crea de Santa Catarina, embora na placa fixada junto à construção constasse o nome de Vlamir Roberto Fehrmann, também de Santa Catarina.
Pedro de Oliveira acha que a polêmica que está sendo criada em torno do assunto não se justifica e que o grande prejudicado no processo é o proprietário do imóvel. Pode até ter ocorrido atraso na documentação, até em razão da burocracia, mas a obra em termos de segurança é inquestionável, garantiu.





