Érika Pelegrino
De Londrina
Praticamente paradas há um ano, as obras da construção da Cadeia Pública de Londrina (CPL) foram retomadas na quinta-feira. Na semana passada foram contratados, segundo informou o mestre-de-obras, Antônio Cavalari, mais 14 operários – cinco carpinteiros, seis serventes de pedreiro e um armador.
A CPL deveria ter sido inaugurada em agosto deste ano, mas sem o repasse de verbas do governo, a construção ficou praticamente parada desde outubro do ano passado até quinta-feira. Durante este período apenas quatro operários estiveram trabalhando. Desde o início da construção, em junho do ano passado, foram concluídas 12% das obras.
Com a prorrogação do contrato da empreiteira de Cascavel, Sial Construção Civil, com a secretaria do Estado de Obras por mais um ano – a CPL deverá ser entregue até 30 de agosto de acordo com o contrato – o engenheiro civil Armando Hiroshi Nonose, sócio-proprietário da empreiteira, esteve em Londrina no início do mês para contratação de mais operários, a princípio seriam 28.
Cavalari não quis comentar por que foram contratados apenas 14 homens. Esta informação, segundo ele, só poderia ser passada por Nonose. A Folha procurou pelo engenheiro em Cascavel, mas ele estava viajando. ‘‘Para entregarmos a obra dentro do prazo precisaríamos estar trabalhando hoje com 35 a 40 operários’’, afirmou Cavalari.
O clima é de incerteza. ‘‘Pode ser que no final do mês tenha 30 homens trabalhando aqui’’, afirmou Cavalari. A previsão é de que de março a junho do próximo ano cerca de 200 homens estejam trabalhando na construção. O secretário do Estado de Obras, Augusto Canto Neto, disse ontem que, de acordo com o contrato, até o mês de janeiro serão repassadas parcelas num valor médio de R$ 70 mil.
De fevereiro a junho estas parcelas passam para R$ 400 mil e em julho e agosto caem para valores que variam de R$ 50 mil a R$ 80 mil. Os valores repassados, disse o secretário, são de acordo com a fase em que a obra se encontra e o tipo de serviço que para ser executado precisa de mais ou menos verba.
Segundo Canto Neto, o governo tem um prazo de 30 dias para repassar o dinheiro a partir do momento em que a empreiteira envia a fatura com a medição do serviço executado para Curitiba. O secretário afirmou que está tranquilo com o repasse da verba, já que o governador Jaime Lerner teria garantido que não haverá atrasos.
Com o atraso de um ano na construção, o orçamento inicial que era de R$ 2,5 milhões passou para quase R$ 3 milhões. A CPL terá capacidade para 360 presos.
A conclusão da Cadeia Pública de Londrina é um dos pontos principais da campanha ‘‘Londrina exige o fim da violência!’’, lançada anteontem. O movimento envolve veículos de comunicação e órgãos da sociedade civil organizada que cobram providências do governo estadual.
A cobrança se deve ao aumento da violência na cidade. Em setembro a cidade assistiu atônita a uma série de assassinatos, assaltos, fugas de presos e tiroteios. Um dos que mais chocaram a população, durante o mês considerado o mais violento dos últimos anos foi o assassinato da menina Greice Melo, 5 anos. O acusado pelo crime, Ademir Justino da Silva, o ‘‘Doido’’, acabou sendo assassinado por detentos ao ser preso.
Outro crime que marcou a cidade foi o assalto à Proforte Transporte de Valores, de Londrina, praticado por uma quadrilha fortemente armada que manteve 11 pessoas como reféns por mais de 10 horas. O dia seis de setembro foi o mais violento, com quatro assassinatos e três grandes assaltos.
O radialista Lourival Cruz foi assassinado por um assaltante quando chegava em casa por volta das 23 horas. Antônio Coscato, 60 anos, foi espancado até a morte e depois teve o corpo queimado em um mocó (abrigo usado por moradores de rua). Daniel Batista, 46 anos foi outra vítima do mês de setembro: morreu esfaqueado em sua casa.
O motorista José Luís Risso estava em uma lanchonete no Jardim Ideal (zona leste) no momento em que o estabelecimento foi assaltado. Ele levou dois tiros e morreu. Em Ibiporã outras duas mortes: a menor de 14 anos mata o tio Valdete Galdino, 25 anos, com uma facada. Seu sogro, Sebastião Alves Pereira, 75 anos, assiste à cena, sofre um ataque cardíaco e também morre.

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