Obra completa 150 dias sem acidentes
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terça-feira, 10 de junho de 1997
Osmani Costa 
Marcos BorgesMestre de obraO técnico em segurança Carlos Aparecido da Silva, grande responsável pelo recorde sem acidentes: trabalho de conscientizaçãoO edifício, com 21 andares e 84 apartamentos residenciais, está em obras desde junho do ano passado e será entregue por uma construtora londrinense em novembro próximo. Cerca de 140 operários erguem os quase dez mil metros quadrados da construção, localizada no jardim Cláudia (zona sul). Apesar de grande, ele poderia passar despercebido e ser apenas mais um entre as dezenas de prédios em construção na Cidade. Mas no tapume, ao lado do portão de entrada, uma pequena plaqueta indica a diferença: Estamos trabalhando sem acidente há 150 dias.
Pode não ser o recorde - e nem há dados estatísticos disponíveis para comparação na Cidade -, mas este tempo sem nenhum acidente, em uma obra de grande porte, é raro e considerado como excepcional por técnicos em segurança de trabalho e diretores dos sindicatos - patronal e de trabalhadores - ligados à construção civil em Londrina. Principalmente porque o setor tem sido, nos últimos anos, o maior responsável pelos acidentes de trabalho na Cidade, notadamente os fatais.
O responsável pelos cinco meses sem nenhum tipo de acidente, marca que tem estimulado toda a equipe de operários e proprietários da construtora - a Planos -, é o técnico em segurança no trabalho Carlos Aparecido da Silva, que há quase três anos atua no setor em construtoras londrinenses. Além de presente na obra todos os dias, nas sextas-feiras ele reúne durante uma hora os trabalhadores para palestras, cursos e treinamentos sobre os perigos da profissão, os equipamentos de segurança disponíveis e a maneira mais correta de utilizá-los.
Antes do último acidente registrado, em 7 de janeiro, 22 trabalhadores haviam sido vítimas de acidentes em seis meses de construção. A média anterior, de quase um acidente por semana, é a considerada normal em uma obra desse porte. Seis operários, um por mês, haviam sofrido acidentes mais graves, inclusive com a necessidade de afastamentos prescritos por médicos.
Marcos BorgesÚltima vítimaO guincheiro Agenor Ferreira dos Santos, último operário acidentado na obra da Planos: Treinamentos têm sido muito bons
A diminuição no número de acidentes do trabalho tem alguns caminhos obrigatórios. Dois deles são: a conscientização dos trabalhadores sobre o risco e a gravidade dos acidentes, e o investimento das empresas em equipamentos de segurança e no treinamento do pessoal para o uso deles, explica o coordenador do programa de segurança, que fez um curso de nível técnico-profissionalizante no Colégio Polivalente de Londrina.
Segundo ele, não é normal uma obra de grande porte ficar mais de um mês sem o registro de acidente na Cidade. Ele explica que os acidentes mais comuns são causados por pregos, por quedas de tijolos e restos de concreto sobre os operários, e entrada de pequenas partículas de areia, massa e outros produtos nos olhos. Os mais perigosos, que causam o maior número de mortes, são as quedas em fossos de elevadores e de guinchos.
Na construção recordista em meses sem acidentes, os operários se conscientizaram da importância e fazem questão de trabalhar usando os equipamentos de segurança à disposição. Entre eles, estão os capacetes, sapatões, luvas, óculos especiais e cintos de segurança. Hoje, a realidade é outra. Mas, meses atrás, fomos obrigados a demitir um trabalhador que se recusava a usar o capacete, conta Carlos da Silva.
O guincheiro Agenor Ferreira dos Santos, que desde 1977 trabalha na construção civil, foi quem sofreu o último acidente na obra. Caiu um pedaço de tijolo no meu braço, perto do ombro; não foi tão grave, mas tive que ficar oito dias sem poder trabalhar, conta ele. Esses treinamentos sobre como evitar acidentes têm sido muito bons para nós; sempre aprendemos coisas novas e importantes, para usar no dia-a-dia da construção.
Na opinião do técnico em segurança no trabalho, a diminuição no número de acidentes na construção civil, de uma forma geral, reflete a evolução da mão-de-obra do setor. Nos últimos tempos ela foi sendo treinada, capacitada, para enfrentar melhor os riscos que são comuns nesta atividade, mas também podem ser diminuídos e evitados em grande parte, afirma Carlos da Silva. Felizmente, o nosso resultado é muito bom, quase inacreditável. Esperamos que ele sirva de estímulo para as outras construtoras da Cidade. Nós estamos muito gratificados, porque estamos ajudando a cuidar de vidas humanas.


