Os moradores da Vila Yara, zona norte de Londrina, ameaçam interditar novamente a BR-369 se a construção da passarela não começar ainda esta semana. Os tapumes colocados no local não convencem a comunidade e irritam os comerciantes do bairro.
Dirce Gomes Bueno, mãe do garoto Diego Huran Bueno, que morreu atropelado naquele trecho em dezembro passado, disse que já está cansada de ouvir promessas. ‘‘Os engenheiros da prefeitura garantiram que a obra começaria nesta quinta-feira e estaria pronta em 120 dias. Até agora, nenhum operário apareceu aqui.’’
A cunhada dela, Maria de Lurdes Bueno, afirmou que há 40 anos a população pede alguma providência para diminuir o número de acidentes ali, mas até agora pouco foi feito. Segundo ela, o semáforo e os dois quebra-molas não inibem os motoristas que trafegam em alta velocidade. ‘‘Tudo o que precisamos fica do outro lado da rodovia, como escola, farmácia, creche e supermercado. A atenção é fundamental e, mesmo assim, o risco de um atropelamento é grande.’’
A morte de Diego incentivou a criação de um núcleo de direitos humanos no bairro que leva seu nome. A presidente Maria Aparecida Silva Cardoso disse que os moradores estão cansados de reclamar e dispostos a levar adiante a luta por melhorias na Vila. ‘‘Se continuarem ignorando a gente, vamos fechar a rodovia em dia útil para chamar a atenção. Abaixo-assinados e ofícios não garantem nada. Queremos ver trabalho.’’
Apesar de cercada, a área de fundação da passarela está abandonada. Máquinas, areia e pedras britadas são os únicos indícios de que ali planeja-se uma construção. De acordo com o secretário municipal de Obras, José Righi de Oliveira, o trabalho será realizado através de uma parceria da Econorte, prefeitura e Departamento de Estradas de Rodagem (DER), sendo a concessionária da rodovia a responsável pela obra. Ela ficará com a fundação e execução, o DER fornecerá as vigas e placas pré-moldadas de concreto e a prefeitura cuidará da iluminação, jardinagem e instalação de telas entre as pistas.
Enquanto a obra não começa, comerciantes vizinhos aos tapumes, como o tapeceiro Cláudio Zampiva e José Carlos Ávila, proprietário de uma auto-elétrica, reclamam a perda de 80% da clientela. Ávila investiu no marketing para diminuir o prejuízo. Ele colocou placas publicitárias no canteiro central, indicou nos tapumes o caminho do seu estabelecimento e foi até o Departamento de Trânsito (Detran) procurar clientes. ‘‘Não somos contra a passarela, apenas queremos que ela fique pronta o mais rápido possível. Caso contrário vamos precisar fechar as portas’’, comentou.
A assessoria de imprensa da Econorte informou que, no momento, a concessionária espera os cálculos estruturais do DER para dar prosseguimento ao trabalho. A expectativa era que este resultado chegasse até o final da tarde de ontem à Econorte. O coordenador de concessão do lote 1 do 3º Centro Regional do DER, Carlos Fumio Yamamura, afirmou que a passarela estará concluída no prazo determinado e que a preocupação dos moradores é desnecessária.
Acabamento Do outro lado da cidade, na PR-445, no Parque Ouro Branco (zona sul), a passarela tão esperada está quase pronta. Righi acredita que, no máximo, até o final do mês ela estará concluída. Segundo ele, a inauguração foi adiada porque o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (IPPUL) pediu a instalação de 2,5 metros de tela para proteção dos veículos.
O secretário adiantou também que em junho ou julho a prefeitura inicia a construção de uma via de acesso entre o Conjunto Saltinho e a avenida Guilherme de Almeida, no Parque Ouro Branco. A obra vai cortar a rodovia para encurtar o trajeto dos motoristas com destino ao centro.

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