Objetos antigos ajudam alunos a conhecer história de Londrina
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segunda-feira, 24 de maio de 2004
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Ferro de passar roupa a carvão, vestido de noiva dos anos 60, moeda de 200 réis de 1889 e uma máquina de calcular cinquentona que em nada lembra as miniaturas lançadas nos últimos anos. Velharia para alguns, esses e uma série de outros objetos antigos foram utilizados por alunos da Escola Municipal Mábio Gonçalves Palhano, no Parque Ouro Branco (Zona Sul), para estudar a história de Londrina que, em dezembro, completa 70 anos.
A iniciativa envolveu 97 crianças de terceira série, entre 8 e 10 anos, e mobilizou familiares, professores e funcionários. A atividade, segundo a diretora Márcia Ferraz da Silva, complementa outras já desenvolvidas com os pequenos, como visita ao Museu Histórico de Londrina e entrevistas com vizinhos e parentes. ''É uma forma de fazê-los ver que também fazem parte da história da cidade e de perceberem a importância de se guardar alguns objetos para, no futuro, entenderem o presente'', explicou.
Suelene Salgado, de 8 anos, trouxe o lampião dos avós e não titubeou na resposta: se pudesse escolher, hoje usaria o equipamento no lugar do abajur. ''É mais prático e, além do mais, economiza energia elétrica'', concluiu.
Entre um bilboquê de madeira e um videogame bem anterior ao já ultrapassado Atari, Bruno de Medeira, 9, escolheu ferro a carvão escondido no baú da família mas tem uma opinião diferente da colega: ''O velho é muito pesado. Não passo roupa, mas, se passasse, preferiria os mais novos'', comentou.
Envolvida com a atividade, a professora Inês Akiama Scapelato, 48, trouxe o que para muitos era uma panela antiga, mas que, na verdade, foi artefato comum na infância vivida no sítio. ''Trata-se de um torrador de café até relativamente novo segundo ela, em 10 anos , que fiz questão de não aposentar até hoje'', contou.
Independente da finalidade didática do evento, a exposição de objetos antigos também teve uma finalidade a mais para a aluna Keila Costa Silva, de 8 anos. De acordo com ela, a mãe acaba mandando para o ferro-velho peças que já não servem mais em casa. ''Não é tudo que dá para levar, e agora eu aprendi isso'', disse, segurando orgulhosa um coador de café antigo e um bule esmaltado que era da avó, ''salvos'' por ela.


