Objeto gigante do espaço atingiu o Paraná
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Coronel Vivida A localidade de Vista Alegre, um bucólico povoado rural de Coronel Vivida (Sudoeste do Paraná), foi atingida por um corpo celeste gigante com cerca de um quilômetro de diâmetro e força equivalente a alguns milhares de bombas atômicas. O impacto do misterioso objeto espacial abriu uma cratera de quase 10 quilômetros de extensão e arrasou por completo todas as formas de vida existentes por toda a região. A boa notícia é que o raro acontecimento não é um sinal dos tempos, porque ele ocorreu há aproximadamente 130 milhões de anos. Uma época remotíssima em comparação com o surgimento na Terra do homem mais semelhante com o atual que, mesmo existindo divergências teóricas, teria surgido há menos de 100 mil anos.
Até pouco tempo atrás, a vida no pequeno povoado situado a 17 quilômetros do Centro da cidade seguia sem sobressaltos. Na pequena venda do núcleo urbano os amigos ainda se encontram para trocar dedos de prosa enquanto aguardam a soja e o milho crescerem vistosos no campo e o gado encorpar no pasto. Mas em 2004 um engenheiro florestal que trabalhava na região estranhou o formato de uma grande área na região e a aparência de rochas que encontrou no local e decidiu trocar informações com o geólogo e pesquisador da Universidade de Campinas (Unicamp) Álvaro Crosta.
Depois de analisar imagens de satélites e colher fragmentos do solo, o professor não teve dúvidas: havia acabado de identificar a quinta cratera brasileira surgida a partir do impacto de um corpo celeste. A comunidade científica foi informada e o vai e vem de estudiosos chamou a atenção da população local, que depois disso começou a ver com outros olhos a terra onde vive.
No início a novidade chegou a espantar muita gente, mas conforme as informações iam desanuviando as desconfianças tudo foi se ajeitando. Só fiquei tranquilo depois que perguntei para o pesquisador se tinha chance de cair outro negócio desse e ele disse que não, recorda o carpinteiro Osvino Antônio Gonçalves. E logo em seguida à descoberta começaram a surgir as primeiras histórias relacionadas com o acontecimento.
A tampa do meteoro uma pedra grande eu já conhecia há muito tempo porque ficava no meu sítio. O pessoal dizia que tinha muito ouro seis metros para baixo. Os cavalos não conseguiram, o trator entalou e depois detonamos a pedra em pedaços, mas não tinha nada. Até hoje o povo acha que o ouro foi roubado, conta o carpinteiro.
A descoberta e os fatos posteriores orgulham o agricultor Alcemar Cevergnini: O bairro ficou muito mais conhecido e todo mundo que passa pela região para pra ver e saber onde fica. E isso já rende alguns trocados. Quando não está atuando como salva vidas em arenas de rodeio, o peão Arceneu Correa, o Garoto, aproveita a curiosidade alheia para faturar. Eles param, querem ver as pedras e eu mostro. Depois, quando estão indo embora, eu peço um trocado para o café, fala ele, cheio de graça.
A dona da loja de secos e molhados Geni Copatti nasceu no bairro e agora diz entender algumas coisas que acontecem na região. Depois que fiquei sabendo, comecei a achar uma coisa importante. Não tenho medo não. Por aqui não dá chuva forte, temporal, gaba-se. O irmão dela, Ivanir Copatti, hospedou vários pesquisadores em sua casa e acabou tendo acesso a algumas informações mais técnicas. Por isso decidiu guardar em casa uma pedra de quase 20 quilos que, jura, só pode ser encontrada a uns 700 metros de profundidade. Com o impacto, ela foi jogada para a superfície.
Eu fiquei meio assim quando eles chegaram, embora sempre achasse que essa região era diferente das outras. Hoje temos certeza. A terra, por exemlo, é a melhor que tem, garante Ivanir Copatti. Segundo os cálculos locais, o alqueire chega a valer o equivalente a duas mil sacas de soja e ninguém vende. Em outros locais, o mesmo tamanho não vale nem 1,4 mil sacas.
Só quem não parece estar muito contente com o ocorrido é o agricultor Ismael Viecelli, o ex-dono da pedreira onde é coletada boa parte dos fragmentos para análise. Ele doou a área para o Município com a promessa de que o local iria servir como um museu que, por enquanto, não saiu do papel. Estamos esperando, avisa.


