A principal função da Lei de Zoneamento Urbano é disciplinar a ocupação e o uso do solo da cidade. Primordialmente, divide as áreas em residenciais, comerciais e industriais. A legislação específica foi aprovada em Londrina em 1998. Mas a preocupação com o espaço urbano do município é muito mais antiga. E o conceito, ainda mais remoto.
A concepção de cidade liberal, que surgiu na Inglaterra e durou até o século XIX, determinava que era possível ocupar qualquer local com moradias, comércio e indústrias. A consequência era uma expectativa média de 48 anos e baixa qualidade de vida. Depois que regras foram estabelecidas, o panorama mudou e a expectativa de vida passou a superar os 80 anos.
Em Londrina, a preocupação esteve presente no planejamento urbano desde os primeiros anos após a fundação. A separação entre áreas comerciais e residenciais já existia em 1934. Depois disso, novas leis e planos diretores foram aprovados e colocados em prática.
O arquiteto e urbanista Gilson Bergoc, diretor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), esclarece que as principais vantagens da legislação sobre zoneamento são garantir qualidade de vida aos moradores e economizar recursos públicos.
''A infra-estrutura é diferente para as ligações de energia em áreas residenciais e industriais. Montar uma estrutura industrial e usar a área como residencial é desperdício. O planejamento permite que o dinheiro público seja aplicado com mais eficiência porque, afinal, quem paga por isso é o cidadão'', ensina.
Ele exemplifica: uma pesquisa feita em 2003 mostra que o consumo de energia de indústrias em Londrina é muito superior, proporcionalmente, ao de estabelecimentos comerciais e residências (Ver box). Por isso, o planejamento e a obediência aos parâmetros estabelecidos pela legislação são tão importantes.
''Há uma grande quantidade de alterações pontuais. Muita gente compra um terreno por um preço mais baixo e depois tenta mudar o zonamento para valorizar a área. A cidade é um espaço de diferenças. Sempre há interesses em jogo. O negócio é que não se pode fazer uma lei para beneficiar uma só pessoa'', salienta o arquiteto. (F.R.F.)

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