Óbitos somem do IML de Londrina
O Instituto Médico Legal (IML) de Londrina não possui atualmente um arquivo com as declarações de óbito emitidas até o início de 2000. De acordo com um relato assinado pelo médico-legista Rogério Luiz Eisele, ex-chefe do IML de Londrina, na administração anterior a sua as declarações de óbito emitidas não eram arquivadas e muitos arquivos de dados teriam sido apagados na mudança de gestão.
O relato assinado no dia 8 de maio de 2002 respondia a um questionamento sobre o corpo do comerciante Carlos Alberto dos Passos Soares, necropsiado no dia 17 de novembro de 1999 pelo legista Antônio da Costa Funfas Neto. O comerciante morreu na PR-445, quilômetro 386, em Cambé (13 km a oeste de Londrina), ao bater seu carro contra um ônibus. O boletim da Polícia Rodoviária Estadual revela que não foi colhido sangue ou material para exames alcóolico e toxicológico.
No entanto, o laudo de necropsia anexado a um dossiê recebido pela reportagem da Folha e encaminhado para o Conselho Regional de Medicina (CRM) diz que foi colhido o exame de dosagem alcóolica. O laudo de dosagem alcoólica 823/99 diz que o exame deu positivo (0,95 centígramas de álcool por litro de sangue). No mesmo dossiê consta uma declaração de óbito sob o número 140.046. Mas o guia de translado cadavérico e inumação apresenta declaração de óbito de número diferente: 138.714. O guia é assinado pelo médico-legista chefe na época, Antonio Carlos de Queiroz. O mesmo número aparece na ata de conservação cadavérica assinada pelo mesmo legista.
A viúva Salete Volpato Soares foi procurada e anexou ao dossiê um recibo de R$ 1,5 mil destinado ao pagamento de serviços de embalsamento completo no cadáver do marido. Ela guardou o recibo e cópia do cheque nominal a Queiroz que, na oportunidade, teria dito que se tratava de uma contribuição voluntária. O dossiê deverá ser investigado pelo MP. Queiroz foi indicado pelo então chefe do IML de Curitiba, Francisco Moraes e Silva, afastado por supostas irregularidades administrativas.(LP)





