Obesos querem distribuir responsabilidade do peso
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sábado, 29 de julho de 2006
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
A obesidade mórbida é um problema de saúde pública que atinge 1 milhão de brasileiros, como aponta a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica. Para ser combatida é preciso escalar uma adversária de peso: a educação.
Ao incentivar a educação da população londrinense e da região, a recém-criada Associação dos Obesos de Londrina (Obesolon) pretende redistribuir o peso da responsabilidade do combate à doença que, por enquanto, está somente nas costas dos doentes e do próprio poder público - únicos chamados para tentar resolver o problema.
Existe uma tendência da sociedade em polarizar a discussão, afirmando que a pessoa não emagrece porque não quer ou não admite que está gorda. Outra tendência é achar que o Sistema Único de Saúde (SUS) é culpado de toda a situação, o que não é verdade. Não é uma questão só de poder público, mas de toda a sociedade, comenta a enfermeira Ogle Beatriz Bacchi, que integra o grupo fundador do a associação.
A primeira reunião aberta da entidade, com a eleição da diretoria, será realizada no próximo dia 9, às 19 horas, no auditório da Associação Médica de Londrina (AML), na Praça 1º de Maio.
Entre os fundadores da Obesolon, associação que espera reunir não só profissionais de saúde, mas obesos, parentes e amigos, estão ainda o médico cirurgião do aparelho digestivo, Alberto Toshio Oba, e a nutricionista Flávia Medri.
Ogle Beatriz fez parte do número de obesos mórbidos em Londrina, estimado em 12 mil pessoas.
A obesidade é multifatorial. Ninguém é obeso porque quer. Não podemos pensar que se combate a doença somente com consulta médica. É preciso que a sociedade se mobilize. Existe caso que não se resolve com cirurgia. Sofri todos os problemas, desde preconceito, cerceamento de direitos. Quando entrava numa loja, as atendentes ficavam em pânico. O gordo é enterrado vivo na sociedade, comenta Ogle Beatriz, que emagreceu 51 quilos após a cirugia de redução de estômago. A enfermeira chegou a pesar 122 quilos.
A nutricionista Flávia Medri aponta que o trabalho educacional precisa envolver a mídia e escolas, entre outros setores da sociedade.
Ela exemplifica, dizendo que por lei, as escolas não podem mais servir salgados e refrigerantes aos alunos, mas que muitos pais permitem que os filhos levem para a sala de aula esse tipo de lanche, que contribui para a obesidade.
Alberto Oba afirma que, além da educação da população, a Obesolon quer representar os obesos junto ao poder público, colaborando com a discussão de políticas públicas.
Também esperamos poder realizar convênios para conseguir comprar medicamentos, produtos e equipamentos mais baratos para os obesos. São pessoas consideradas de risco para muitas doenças, destaca Oba.
O médico acrescenta que 200 pacientes estão na fila do SUS para realizar cirurgia de redução de estômago no Hospital Universitário (HU). Cirurgia é considerada eletiva.
SERVIÇO
Informações pelo
fone 3356-0880 ou através do site www.obesolon.com.br e
e-mail [email protected]


