Uma espera de três a quatro anos. Esse é o principal obstáculo que os pacientes com obesidade mórbida têm que enfrentar para fazer cirurgia de redução do estômago pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em Londrina. Enquanto esperam, os pacientes ficam mais expostos aos riscos de saúde causados pela obesidade, como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares.
Nos cinco anos em que a cirurgia é feita na cidade, no Hospital Universitário (HU), um paciente já morreu na fila de espera. ''O paciente fica mais exposto ao risco, são três anos de riscos potenciais. Um paciente obeso tem, por exemplo, 12 vezes mais chances de ter problemas cardiovasculares que um magro'', explicou o cirurgião do aparelho digestivo Antonio Carlos Valezi.
Segundo Valezi, apenas quatro a cinco cirurgias são feitas por mês, apesar de hoje 62 pacientes já estarem ''prontos'' para serem internados, depois de terem passado por consulta endocrinológica, avaliação psicológica e avaliação com nutricionista. A fila, segundo o médico, é de 204 pacientes, número maior que os 173 que já foram operados desde maio de 1999. ''Para operar é preciso vaga no hospital e na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), mas a prioridade é para as urgências'', disse.
O motorista desempregado Waldson Paulo Gonçalves, de 30 anos, sabe do tempo de espera que vai ter que enfrentar para voltar a ter uma vida normal. Com 1,72 metro de altura e peso de 207 quilos, ele não consegue emprego e raramente sai de casa. ''Sinto vergonha e as pessoas têm preconceito. O que eu mais queria era voltar a trabalhar e poder levar meus filhos para passear. Essa fila é muito grande, chega a ser humilhante, mas como não tenho dinheiro, vou ter que esperar'', reclamou. O custo da cirurgia pela rede particular, segundo Valezi, gira em torno de R$ 10 mil a R$ 12 mil.
Para passar pela cirurgia de redução de estômago (gastroplastia) o paciente deve apresentar um Índice de Massa Corpórea (IMC) maior que 40 quilos/metro quadrado, não apresentar doenças endocrinológicas e já ter tentado tratamento clínico para emagrecer. O IMC é calculado dividindo-se o peso pela altura ao quadrado. Nos 30 dias seguintes à cirurgia, o paciente só ingere alimentos na forma líquida. A meta da gastroplastia é reduzir o peso em até 40% em até dois anos.

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