A obesidade no Brasil não está crescendo apenas entre os jovens, adultos e crianças, mas também entre pessoas da terceira idade. Segundo os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a prevalência aumentou, nas últimas duas décadas, em praticamente todas as faixas etárias. No entanto, chama a atenção o fato de que, na população acima de 65 anos, 16,7% das mulheres e 8,1% dos homens estão obesos.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), idoso é o indivíduo com 65 anos ou mais nos países desenvolvidos. Já nos países em desenvolvimento já se enquadram na terceira idade pessoas acima dos 60 anos. "Os dados oficiais são imprecisos em relação à prevalência de obesidade mórbida na população idosa, mas o fluxo de pacientes nesta condição que procura consultórios especializados é cada vez maior", explica o professor e cirurgião especialista em obesidade Caetano Marchesini.
Na clínica dele, em Curitiba, a média de pacientes acima de 60 anos aumentou de 10% para 18% nos últimos cinco anos. Já o número de cirurgias bariátricas e tratamentos para obesidade nesta faixa etária representa 5% dos atendimentos. "Uma fração desses pacientes apresenta graus mais avançados de obesidade", conta.
Marchesini explica que a avaliação pré-operatória em pessoas acima de 60 anos deve ser mais rigorosa, levando em consideração o risco/beneficio, o método cirúrgico mais apropriado e os resultados de uma avaliação funcional utilizada especificamente pela geriatria e gerontologia. "O quanto a perda de peso pode contribuir para a melhoria dos aspectos funcionais deve ser considerado na indicação ou não da cirurgia bariátrica no idoso", ressalta Marchesini.
Os critérios cirúrgicos para indicação de tratamento da obesidade foram criados em 1991, pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH). Foi estabelecida a idade de 65 anos como limite para que um paciente possa passar por uma cirurgia bariátrica. No entanto, fica a critério de cada cirurgião ou equipe a possibilidade de avaliar individualmente pacientes mais velhos, considerando a relação risco/benefício de cada caso. No Brasil, os critérios adotados são os mesmos. As regras brasileiras adotadas pelo Ministério da Saúde e Conselho Regional de Medicina consistem na avaliação individual de pacientes com idade superior a 65 anos. "Os resultados em termos de perda de peso, solução de doenças associadas e índice de complicações são semelhantes aos da população mais jovem", afirma Marchesini.
A dona de casa Alice Nedzvega, aos 68 anos, pesava 120 quilos, com apenas 1,50 metro de altura. Ela acumulava problemas de saúde relacionados ao excesso de peso, como pressão alta e artrose nos joelhos. Em sua última visita ao ortopedista, Alice recebeu a recomendação médica de que deveria perder peso para que pudesse operar o joelho. Após inúmeras tentativas para emagrecer, foi encaminhada a uma consulta com cirurgião bariátrico. "Eu tinha muito receio de fazer a cirurgia, devido à cicatrização na minha idade", recorda. Feitos todos os exames necessários, Alice fez a cirurgia por videolaparoscopia em março de 2014. De lá para cá, perdeu 51 quilos e os problemas nos joelhos desapareceram, assim como a pressão alta. "Estou felicíssima. Tenho certeza que depois da cirurgia ganhei mais uns 20 anos de vida. Estou esbanjado saúde aos 69 anos", relata Alice.
Já o empresário Otto Riederer, aos 67 anos, tomava medicamentos diariamente para pressão alta e diabetes. Pesava 120 quilos. Tentou de todas as formas emagrecer. "Recorri a cirurgia bariátrica e passei a pesar 80 quilos. Hoje tenho uma vida nova, com mais ânimo, disposição e sem remédios", finaliza.

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